Camisa com o tecido desenvolvido pela Santista – Foto: Divulgação

A Covid-19 abriu espaço para uma geração de tecidos antivirais. Nesta quinta-feira (23.07), a Santista em colaboração com a Nanox Tecnologia apresentou em webinar o Bioprotect, um acabamento antiviral, antibacteriano e antifúngico para ser aplicado em tecidos e que inativa o novo coronavírus em até 3 minutos, com 99,9% de eficiência.

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Segundo Inácio Silva, gerente de marketing da Santista, a produto já pode ser encontrado em 95% da linha de tecidos workwear próprios, por exemplo, para uniformes hospitalares e máscaras. Há, ainda, uma linha de sarjas coloridas.

Pesquisas agora estão sendo conduzidas para estender a proteção ao denim. A proposta inclui, ainda, a combinação do Bioprotect com o Repeller, função que impermeabiliza a superfície, repelindo líquidos e fluídos corporais, como espirros, sangue, suor e outras secreções. Juntos, diz Inácio, formam uma barreira dupla contra o coronavírus.

O projeto é o resultado de pesquisas 100% nacionais, iniciadas no início de março, e testado de cepa brasileira do vírus SARS-CoV-2, ou seja, um vírus isolado de um paciente. “Começamos observando que o vírus pode ser atacado com materiais oxidantes, como álcool e água sanitária. Então nos perguntamos como isso poderia ser agregado ao tecido”, conta Guilherme Tremiliosi, head de desenvolvimento têxtil da Nanox Tecnologia.

O sistema consiste em micropartículas de prata impregnadas na superfície por meio de um processo de imersão. Para comprovar a eficácia e avaliar a atividade antiviral, amostras foram mantidas em contato direto com os vírus em intervalos de tempo diferentes, de dois e cinco minutos.

A pesquisa teve o apoio do Programa Fapesp Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), além da colaboração de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e da Universitat Jaume I, da Espanha. De acordo com Guilherme, os tecidos também são hipoalergênicos e foram demartilogicamente testados.

Até agora, testes realizados pela Nanox e pela Santista mostram o Bioprotect é resistente a 30 lavagens. “A meta é chegarmos a 50 lavagens, o que fará com que a durabilidade seja o equivalente a um ano com lavagens semanais”, explica Guilherme.

Ele acrescenta que máscaras produzidas com essa tecnologia podem ser higienizadas segundo determinação da Anvisa, que prevê deixar de molho em uma solução de água com água sanitária (2 colheres de sopa de água sanitária em 1 litro de água) durante 20 a 30 minutos.