Alta-costura da Chanel, verão 2021 – Foto: Divulgação

Por Diogo Rufino Machado

A próxima edição da Paris Fashion Week já foi anunciada e está bem próxima. Dos dias 5 a 8 de julho, ocorrerá uma das mais importantes semana de moda do mundo, com apresentações da alta-costura. O calendário provisório já saiu e se encontra disponível no site da Fédération de la Haute Couture.

São inúmeras novidades. Entre elas, a adequação ao novo normal e a realização de desfiles presenciais que respeitarão todas as normas de saúde e segurança, pois, embora o digital tenha vindo para ficar, o presencial se faz necessário.

O contato humano. A experiência que é estar dentro da sala de desfiles. Os inúmeros networkings. E muito mais que uma semana de moda proporciona. A semana de moda de Paris não movimenta só a moda, mas a cidade toda. O turismo, hotéis, restaurantes … todos ganham com o evento. Por isso, eles não demorariam a retornar no formato tradicional, ainda mais na França, onde costumes, tradições e culturas centenárias são preservadas.

Esse retorno tem inúmeras consequências e, por isso, Paris pioneiramente quer mensurar e quantificar os impactos ambientais ocasionados pela realização do evento.

São milhares de pessoas se deslocando até e ao evento. Além disso, há o transporte de profissionais, roupas e materiais. O consumo de energia que o evento tem durante toda a programação é imenso. A utilização de materiais na construção de cenários, ambientes e salas (que em sua grande maioria é descartada após cada edição) também é um fator importante, além da produção de lixo e resíduos.
A Fédération de la Haute Couture et de la Mode apresentou ferramentas aos participantes de cada desfile para que eles possam medir e compensar danos ao meio ambiente. O modelo que começa a ser testado nessa próxima edição entra totalmente em vigor em setembro.

São 120 indicadores-chaves que são levados em conta, no intuito de quantificar esse impacto ambiental, incluindo até o casting e as mídias sociais. Profundo, não é mesmo? E apesar de poderem mensurar os impactos socioambientais, as marcas ainda terão a possibilidade de divulgar ou não esses números aos consumidores. Elas repassarão ao evento todos os números e dados, mas não são obrigadas a serem transparentes ao ponto de que todos tenham acesso a esses dados. Aguardemos para saber quais marcas optarão por essa transparência, pois somente com essa transparência é que podemos optar pela sustentabilidade.

Falando em marcas, ou melhor grifes, continuam no line-up grandes nomes como Chanel, Dior, Jean Paul Gaultier, Fendi, Giorgio Armani e Margiela. A grande perda ocorre com a saída de Saint Laurent, que irá seguir seu próprio calendário e um caminho solo. Os convidados para essa edição são Pyer Moss, Azzaro Couture, Balenciaga e Zuhair Murad, entre outros. Por aqui estamos muito ansiosos pelo evento – e vocês?