
Foto: Thomaz Farkas
Símbolo do sonho moderno e palco de contradições, é inegável que Brasília carrega um imaginário marcante. Não por acaso, a capital federal foi escolhida para sediar a 14ª Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo, que acontecerá em novembro deste ano.
Pensada pelo Ministério da Habitação e Agenda Urbana espanhol, a bienal reúne profissionais brasileiros e internacionais para debater sobre as urgências e caminhos do setor. Em 2026, a curadoria é formada por Nuno Sampaio, Carlos Quintáns, Fernando Serapião, Matheus Seco, Luciana Saboia e Daniel Mangabeira — grupo com diferentes nacionalidades que busca refletir a essência diversa do evento.
A BAZAAR Interiors falou com Saboia e Mangabeira sobre esta edição, que tem como tema central “Cuidar da vida”. “Brasília se transforma nesse grande fórum de debate da arquitetura internacional”, resume Saboia, que integrou também a curadoria do Pavilhão do Brasil na última Bienal de Veneza.

Luciana Saboia – Foto: Duda de Oliveira
A ideia é refletir sobre a crise climática e os desafios ambientais do nosso tempo, articulando propostas concretas através da arquitetura e do urbanismo. “É muito importante quando a gente consegue identificar problemas, mas talvez seja mais importante quando a gente consegue criar soluções para esses problemas”, diz Mangabeira, reforçando a proposta curatorial de ultrapassar diagnósticos.

Daniel Mangabeira – Foto: Victor Machado
Cinco temas secundários serão explorados por meio de exposições e debates coordenados por profissionais: o tema “Água” será coordenado pela mexicana Loreta Castro; “Vegetação” pelo brasileiro Marcelo Rosenbaum; “Habitação” pela portuguesa Inês Lobo; “Comunidades” pelo coletivo equatoriano Al Borde; e “Novos Territórios” pelo paraguaio Solano Benítez.
A escolha de Brasília como sede também reforça o caráter experimental do evento. Esta será a segunda vez que a bienal acontece no Brasil — a primeira foi em São Paulo, em 2016 — e parte da decisão veio de Nuno Sampaio, arquiteto ligado à Casa da Arquitectura, entidade responsável pelos acervos de Lucio Costa e Paulo Mendes da Rocha. “Brasília passa a ser ressignificada não só como ícone, artefato e patrimônio moderno da década de 1960, mas também como um grande laboratório urbano”, reforça Saboia.
Para além dos trabalhos de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, o evento pretende olhar para as dinâmicas cotidianas da cidade. “É uma cidade como qualquer outra”, diz Mangabeira. “Com todas as incongruências, com as diferenças sociais, com os apartes que existem, com dificuldade de locomoção.”

