Por Renata Busch

Foto Pexel.com

As ferramentas de realidade aumentada e de realidade virtual – utilizadas sob a orientação dos professores – transformam as salas de aula em espaços de estudo sem limite geográfico ou de espaço-tempo.  Na Escola Cláritas, em São Paulo, isso é possível por meio de óculos de realidade virtual, que transportam as crianças há mais de 60 milhões de anos para conhecer a vida dos dinossauros. “A atividade faz parte de um projeto interdisciplinar no qual um bebê dinossauro, o Baby Dino, acompanha os alunos desde o primeiro dia na escola e em ações contínuas nas séries seguintes, reforçando valores como respeito, amizade, generosidade, honestidade e coragem”, explica a diretora Carla Gomide.  

Mensalmente, os professores recebem capacitação para integrar esses processos hi-techs nas atividades que permitem, por exemplo, que os estudantes visualizem as divisões dos países no mapa enquanto desvendam curiosidades em um safári. 

Também em São Paulo, no Colégio Domus Sapientiae, as crianças têm à disposição Objetos Digitais de Aprendizagem (ODAs), que incluem vídeos, textos, imagens, jogos, infográficos, animações e simulações. Uma das vantagens é a riqueza visual, que fica evidente no estudo do corpo humano. Em vez de desenhos nas apostilas, vídeos em 3-D mostram ossos, músculos e células em diferentes ângulos. Para o professor de geografia, Arone Marrão, as mesas interativas e as lousas digitais facilitam a explicação de temas que em aulas só expositivas demorariam muito para serem trabalhados. “Quando falamos de relevo, os alunos conseguem ver como a mudança topográfica impacta na vegetação, no clima e na hidrografia. Mostramos de forma realista os efeitos dos abalos sísmicos e como a movimentação das placas tectônicas modificam os ambientes. Essa é uma outra geração e só o uso do papel já não é mais suficiente”, diz.

A rede carioca Daltro Educacional conta com recursos de tecnologia de ponta desde a educação infantil. “O desafio é que os alunos aprendam fundamentos da ciência da computação para criarem códigos autorais e ambientes tridimensionais com os efeitos de realidade virtual”, afirma Teresa Daltro, CEO Rede Daltro Educacional.  

Conteúdo infantil

A startup “De Criança para Criança”, dirigida por Gilberto Barroso, presente em dezenas de instituições privadas e em projetos pilotos em escolas municipais de São Paulo, reforça o protagonismo infantil na criação de conteúdos digitais. Por meio de uma plataforma online, sempre com o apoio do professor, os alunos conseguem criar histórias de forma coletiva, fazendo desenhos e gravando locuções, que posteriormente serão transformadas em animações. Esse material fica disponível para outras crianças no EncicloKids, um espaço digital que separa por disciplinas os projetos realizados. “Essa é uma mudança radical. Até agora, tudo no universo infantil foi criado por adultos. A partir do momento em que as crianças passam a desenvolver o conteúdo, há a mudança de ordem significativa. Antes vinha do adulto para a criança, agora é da criança para o mundo, o que é um grande impacto na educação”, diz Gilberto. decriancaparacrianca.com.br