ariana curte a primeira gestação. Ao lado, o pequeno João - Foto: arquivo pessoal
ariana curte a primeira gestação. Ao lado, o pequeno João – Foto: arquivo pessoal

Por Mariana Ferrão

Miguel e João. “Você não vai tentar o terceiro? Uma menina?” Já perdi as contas de quantas vezes ouvi essa pergunta. Mas é muito cedo para respondê-la. João ainda não fez dois meses…Talvez esqueça o cansaço, as noites maldormidas, o esforço para conciliar com-promissos com as mamadas, a culpa de não conseguir dar mais tanta atenção ao primogênito.

Quantas coisas esqueci desde que o Miguel nasceu. E olha que só faz dois anos e meio! Tive de olhar no diário que escrevia para me lembrar quando ele descobriu as próprias mãos e quando começou a balbuciar os deliciosos “aguuuuu” e “ahuuu”.

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E não adianta comparar as datas nem querer comparar as crias. Todo filho é único.A começar pela forma como cada um vem ao mundo. Miguel nasceu de uma cesariana que sempre achei que havia sido desnecessária. Minha bolsa estourou com 39 semanas, cheguei ao hospital com três centímetros de dilatação, mas com contrações bem fraquinhas. O trabalho de parto não evoluiu, o médico não tentou induzi-lo (até hoje não entendo o porquê) e acabei indo para o centro cirúrgico sem saber muito bem a razão pela qual tínhamos que resolver aquilo tão rápido. Afinal, tinha esperado nove meses por aquele momento! Por que não se podia esperar um pouco mais?

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Minha recuperação com a cesárea foi péssima. Meu corte abriu dez dias depois do parto quando tentava levantar do sofá depois de amamentar. Senti dor no corte por mais de um mês e a cicatriz ficou bem feia.A verdade é que queria um parto normal, mas não me preparei para ele. A gravidez do João foi completamente diferente. No meio da crise político-econômica do nosso País, não viajei para fazer o enxoval no exterior, quase não comprei roupinhas novas, reaproveitei os móveis do quarto do Miguel e ganhei muita coisa das amigas. Meu investimento mais alto foi na preparação para o parto. Foi um investimento de tempo e de dedicação.Troquei de médico, comecei a fazer fisioterapia para preparar o assoalho pélvico, li muito e conversei com mulheres que acabaram virando minhas amigas. Mesmo com todas as evidências científicas apontando que é possível sim ter um parto normal depois de uma cesárea, cansei de ouvir – inclusive dos médicos – que eu não conseguiria. No final da gestação, parei de ser sincera. Passei a falar para todo mundo que o Miguel também tinha nascido de parto normal. Foi a única forma de as pessoas concordarem que o João nasceria assim também e pararem de dar palpite sobre como seria o meu parto.

Mariana  alimenta Miguel, seu primogênito. Na sequência, registra o carinho entre os irmãos e aproveita para curtir o mais novo membro da família - Fotos: arquivo pessoal
Mariana alimenta Miguel, seu primogênito. Na sequência, registra o carinho entre os irmãos e aproveita para curtir o mais novo membro da família – Fotos: arquivo pessoal

Quarenta semanas. Quarenta semanas e um dia, dois, três, quatro… E a ansiedade só aumentava.Tinha medo de não entrar em trabalho de parto. Se tanta gente teme as dores do parto, o meu medo maior era justamente não senti-las.

Mas elas vieram. Intensamente dolorosas. A minha vontade na primeira contração quase insuportável era rir, ou melhor, gargalhar. Estava sentindo. Podia sentir! Quem disse mesmo que não poderia?

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Aguentei em casa o máximo que pude, cheguei ao hospital com sete centímetros de dilatação e duas horas depois estava com o João nos braços. Sei que só consegui porque tive ajuda. Mirca Ocanhas, fisioterapeuta com mais de três décadas de experiência acompanhando gestantes, veio até minha casa e foi a voz que guiou o meu caminho naquela noite. Ela e minha obstetra, a doutora Diana Vanni, que me pediu que escrevesse antes do parto tudo o que imaginava dele. Elas respeitaram a minha vontade, me deram força, me apoiaram, me fizeram massagem, me colocaram no banho e me lembraram que faltava muito pouco quando clamei por anestesia.

Desde que o Miguel nasceu, aprendi que não dá pra julgar os desejos, as ações e as limitações de nenhuma mãe. A maternidade não tem regras. E com a chegada do João, compreendi que tudo fica muito mais fácil quando temos uma rede de apoio. E, se tem uma hora em que as mulheres precisam ficar unidas, é esta.

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