Criado pelo designer italiano Luca Boscardin, o projeto Animal Factory se consolidou como uma proposta que atravessa design, arte pública e urbanismo. Lançado em 2011, em Amsterdã, o trabalho surgiu a partir de um edital urbano – o NDSM Open Call –, e rapidamente se expandiu para diferentes destinos europeus.
A ideia inicial era simples: criar esculturas de animais a partir de linhas minimalistas, utilizando tubos metálicos e cores pontuais. Cada peça, no entanto, mantém as proporções reais dos animais, o que aproxima o objeto de uma leitura quase científica, ao mesmo tempo em que preserva o caráter lúdico. As primeiras instalações – um gorila, uma girafa, um crocodilo e um lobo – foram produzidas em pequena escala e instaladas ao norte da cidade.
O que começou como um projeto voltado ao público infantil ganhou outra leitura. Ao serem apropriadas de diferentes formas, as estruturas passaram a funcionar como equipamentos urbanos híbridos – brinquedos, esculturas, mobiliário e até ferramentas de exercício físico. Atualmente, o Animal Factory soma mais de 70 peças distribuídas em 15 instalações pela Europa, com passagens por cidades como Paris, Londres e Antuérpia, além de museus e de espaços institucionais.
Entre os desdobramentos, destaca-se a parceria com a Magis, que incorporou parte dos animais à sua coleção, certificando-os também como estruturas utilizáveis por crianças e adultos. A série Animal Factory reflete um movimento mais amplo dentro do design atual, que busca por soluções acessíveis, interativas e integradas ao espaço público. Ao reduzir a forma ao essencial, Boscardin propõe uma linguagem universal, que nasce de um desenho simples e é posteriormente traduzido em estrutura tridimensional. Essa transição direta entre ilustração e objeto é um dos elementos que sustentam sua identidade.
Ao ocupar ruas, parques e museus, o Animal Factory desloca o design do campo contemplativo para o uso cotidiano. O resultado é uma obra grandiosa, que se experimenta e que evidencia a partir de traços simples e funcionais.









