Raissa Luara Castro de Oliveira – Foto: Divulgação

Aos 13 anos, Raissa Luara Castro de Oliveira, moradora do Morro Tabajaras e Cabritos, em Copacabana, no Rio de Janeiro, coleciona boas histórias para contar. Até bem pouco tempo atrás, a menina confessa que não era fã da literatura, mas desde que foi apresentada aos livros, passou a perceber a dimensão do conhecimento contido ali.

Tomada pela vontade de compartilhar o novo hobbie – e ciente da falta de acesso à cultura e à educação que outras crianças enfrentam -, Raissa idealizou um projeto de biblioteca comunitária: a “Mundo da Lua”. Inaugurado oficialmente em 18 de outubro de 2019, o espaço conta com acervo estimado em sete mil obras, e recebe, em média, a visita de 30 pessoas diariamente.

Raissa Luara Castro de Oliveira – Foto: Divulgação

Os frequentadores podem pegar qualquer exemplar emprestado pelo período de um mês. Sem ajuda governamental, Lua, como Raissa gosta de ser chamada, se vira com as doações. Mas nem pense que a menina se intimida – ela é dona de um empreendedorismo nato. Se precisar, cria vaquinhas, faz máscaras de tecido para trocar por alimentos em prol dos mais vulneráveis e segue em frente com os seus sonhos, sempre com entusiasmo e coragem.

Como você se interessou pelos livros?

Tudo começou quando eu estudava no colégio Carlos Gomes e a minha professora Sônia foi à Bienal do Livro. Ela trouxe dois exemplares do livro “O Diário de um Banana”, e sugeriu que eu lesse. Recusei justificando que não gostava de ler, mas ela insistiu. Acabei pegando um dos livros e aí me apaixonei pela leitura.

Como aconteceu a ideia de criar uma biblioteca e qual foi o impacto social que a sua iniciativa causou na comunidade?

Depois que visitei a Bienal, percebi que muitas crianças não tinham acesso aos livros. Foi então que resolvi montar uma biblioteca comunitária. Claro que muita gente apoiou, mas sempre tem quem não gosta e aposta no seu fracasso, né?

Qual é o seu conselho para crianças que sofrem bullying?

Sempre devemos contar para os nossos pais, pois é muito importante que os nossos responsáveis saibam o que está acontecendo com a gente. Se o bullying ocorrer na escola, os professores também precisam ser avisados. É importante procurar ajuda.

Sabe dimensionar o tamanho do seu acervo literário?

Sessenta mil livros, mas como não temos estrutura para manter todo esse volume, doamos muitos exemplares para outras ações que incentivam a leitura. Na nossa biblioteca temos atualmente sete mil obras.

Cite os seus livros preferidos.

“Diário de um Banana” (Jeff Kinney), claro!! Agora estou lendo – e amando – a “A Rainha Vermelha” (Victoria Aveyard).

Como tem sido a experiência de estudar em casa? Do que você mais sente falta?

Sinto falta de absolutamente tudo! Dos professores, dos amigos, das conversas no recreio, dos jogos na quadra… É muito difícil estudar em casa!

Que livros você indicaria para alguém resgatar a positividade em tempos de pandemia?

Para as crianças, indico “O Pequeno Príncipe” (Antoine de Saint-Exupéry), “O Diário de uma Garota Nada Popular” (Rachel Renée Russell) e livros de autoajuda.

Quais são os seus projetos para o futuro?

Espero abrir várias bibliotecas “O Mundo da Lua” pelo Brasil e, quem sabe, levar essa ideia para outros países? Vale dizer que já ajudamos outras 14 bibliotecas comunitárias a funcionarem.

Quem são as suas inspirações na vida?

Os meus pais e todo o elenco da série “Riverdale” (disponível na Netflix).