A ideia do projeto Nalu é incentivar o giving back, ou seja, a cada quatro peças de roupa vendidas, um uniforme é doado – Foto: Divulgação

Por Renata Busch

O que pode parecer um simples dress code na idade escolar, na zona rural da Índia, por exemplo, simboliza que a criança não será forçada a se casar precocemente, ou ainda, que não será explorada em uma fábrica para o resto da vida, recebendo apenas o mínimo para sobreviver.

Foi esse o choque de realidade que invadiu o cotidiano dos irmãos holandeses, Dali e Finn Schonfelder, durante o tempo em que passaram por ali com os pais. Ao completar 13 anos, Dali percebeu que a maioria dos amigos, não estavam mais na sala de aula. Descobriu que o governo indiano custeava o uniforme para crianças de até 12 anos e, posteriormente, os pais precisavam comprar a vestimenta de US$ para que os filhos, além de frequentarem as aulas, recebessem alimentação mais adequada.

A menina não entendia que um valor, tão insignificante para ela, impactasse diretamente no futuro dos colegas. Imediatamente, pediu dinheiro para os familiares, o que garantiu o uniforme de alguns estudantes. Mas, percebeu que o gesto isolado não bastaria para surtir efeito.

Nalu

Os irmãos holandeses Dali e Finn Schonfelder – Foto: Divulgação

Por isso, junto com o irmão, ela reuniu as economias de infância, cerca de € 1 mil, para criar, em 2014, a Nalu. A iniciativa tem como base a prática do giving back: a cada quatro peças de roupa vendidas, um uniforme é doado. A linha de produção das vestimentas escolares fica sob a responsabilidade de mulheres da comunidade, que são remuneradas pela atividade.

Mas a preocupação dos irmãos extrapolou a questão socioeconômica. Para diminuir o impacto abiental, as roupas e os acessórios da Nalu são produzidos com corantes biodegradáveis e conceitos sustentáveis. Em 2017, Dali e Finn criaram a Nalu Foundation, entidade que alinha parcerias com empresas para alcançar um número cada vez maior de crianças.

Extensão

Atualmente, além da Índia, são beneficiados alunos da Indonésia e do Quênia. Ao longo dos anos, mais de oito mil uniformes já foram distribuídos. Hoje, a primeira menina beneficiada está estudando para se formar professora, dando continuidade ao ciclo de giving back.

Lockdown

Os irmãos holandeses Dali e Finn Schonfelder – Foto: Divulgação

Em 2016, a produtora Veronica Casetta se mudou para a Indonésia e o filho, então com dez anos, se apaixonou pela marca Nalu. De volta ao Brasil, tentou importar a linha, mas esbarrou numa série de burocracias e acabou desistindo. “Taxas elevadas, o que encarecia os produtos, demora na liberação de contêineres na alfândega e dificuldade para arranjar bons pontos de venda desestimularam a implementação da ação”, conta.

Por isso, Veronica incentiva que sejam criadas iniciativas locais. “Em muitas regiões, as crianças andam quilômetros, em trechos muitas vezes isolados, para chegar à escola. Ter um uniforme é um meio rápido de identificação, mostrando à comunidade que elas são estudantes, trazendo mais segurança e evitando a evasão escolar”, justifica.