Foto: divulgação
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Por Mariana Abreu Sodré

Um skatista em Cabul, no Afeganistão, um empresário na Amazônia, um professor no Grajaú, São Paulo e uma mãe nos Estados Unidos se empenharam individualmente para transformar a realidade de crianças agindo junto com elas, e aliando educação à arte, ao esporte e à sensibilidade.O resultado foi o incremento da autoestima dos pequenos – inseridos não só em projetos sociais, mas na sociedade, além de histórias inspiradoras, dessas que mostram que o caminho para mudar o mundo (ou um pouco dele) está bem mais próximo do que parece. Enquanto a distância, em quilômetros, entre um e outro lugar aqui citada é longa, a das realidades é mais curta, como mostram os casos a seguir.

EDUCAÇÃO SOBRE RODAS
Uma tábua de madeira sobre quatro rodinhas. Um skatista australiano. Crianças na rua e longe da escola. Era essa a realidade nos idos de 2007, em Cabul, capital do Afeganistão, quando Oliver Percovich tinha recém-desembarcado por ali. Logo, ele notou o brilho nos olhos dos pequenos quando o viam deslizar pela cidade a bordo de seu skate irado. Já vai um tempo que a cena é bem diferente. Junto a patrocinadores entusiastas, depois de dar aulas e incentivos para os jovens interessados nas manobras radicais, o empreendedor social inaugurou a primeira pista indoor da cidade, a casa número um da Skateistan, organização dedicada à prá- tica do esporte, aliada à cultura e à educação. Ali, praticantes mirins a partir dos 5 anos são incentivados a andarem de skate, principalmente as meninas, proibidas de pedalar e de estudar graças às imposições do regime talibã (quem se lembra da paquistanesa Malala?). Em sete anos, muitos integrantes do projeto (40% meninas e 50% crianças que trabalhavam nas ruas) voltaram à escola. Isso porque a ONG oferece cursos intensivos de ensino para os interessados em retomar os estudos e a garantir boas pontuações nos testes das escolas públicas. O modelo já foi replicado na África do Sul e no Camboja. skateistan.org

CASA DO RIO: a Oscip, presidida por Thiago Cavalli Azambuja, adotou a única escola da comunidade de Santa Izabel, no Rio Tupana, Amazonas. Além de educar e de formar cidadãos por meio de projetos de educação independentes, promove intercâmbios culturais entre os alunos e artistas de diferentes partes do mundo. :: @casadoriotupana

PARCEIROS DA EDUCAÇÃO: outra Oscip que merece desta- que, já que possibilita e incentiva o investimento social privado em educação básica pública no Brasil para promover a melhoria na aprendizagem, valorizar os educadores e con- tribuir com as políticas públicas. Vale conhecer a iniciativa. :: parceirosdaeducacao.org.br

DESAFIO CRIATIVOS DA ESCOLA: a premiação organizada pela Design for Change Brasil e o Instituto Alana incentiva projetos de transformação protagonizados por crianças e jovens e apoiados por seus professores em todo o País. Ins- crições até 31 de outubro. :: criativosdaescola.com.br

GRAJAÚ, ONDE A MINHA HISTÓRIA COMEÇA: com o professor Carlos Amorim e o apoio da entidade Design for Change Brazil, alunos da Escola Municipal Padre José Pegoraro produziram um minidocumentário sobre o Grajaú. O bairro em que nasceram foi apontado como o pior para se viver em São Paulo. Com o trabalho, descobriram a história do lugar, destacaram os pontos positivos e recuperaram a autoestima. :: youtube.com/watch?v=KWiNpp1yfOw

DESIGN FOR CHANGE: a organização criada na Índia tem o objetivo de “empoderar” crianças e oferecer possibilidades de evolução civil e cultural por meio de projetos especiais e vivências. Está presente em diversos países, incluindo o Brasil. Saiba mais no site :: dfcworld.com

UNDER THE SAME SUN: a organização canadense protege crianças albinas na Tanzânia, onde são mutiladas para ri- tuais de feitiçaria. Em parceria com o Global Medical Relief Fund, dos Estados Unidos, também providencia pró- teses para as vítimas e a recuperação social e psicológica das mesmas. :: underthesamesun.com

NÃO É SÓ POSE
Renee Bergeon é fotógrafa e criadora do Superhero Project, uma ação inédita em que ela retrata crianças com necessidades especiais, vestidas como super-heróis que, de fato, são. Renee também é super-heroína, mãe de 14 filhos, nove biológicos, e foi por conta do filho Apollo, portador de uma doença congênita na aorta – e do fascínio que o menino tem com as capas de Batman e de seus superamigos justiceiros, que ela teve o insight de colocar suas lentes a favor de outras crianças poderosas. Foi da observação que Renee percebeu que as fantasias conferiam autoestima a Apollo, que se soltava a cada clique. A partir daí, ela decidiu compartilhar gratuitamente a experiência com outras mães e crianças em situação semelhante à do filhote. O resultado da ação está publicada no blog:
:: littleearthlingblog.com