Por Fernanda Emmerick

Não faz muito tempo que o quarto infantil tinha wishlist obrigatória: almofada de renda, bandejinha de prata, muito bege – e quase nenhuma personalidade. Nada contra o estilo ou a leveza desses detalhes, mas quantas famílias de fato se identificavam com a recriação de um cenário do passado? E o que essas crianças estariam entendendo sobre o universo em que cresceriam?

Foi no passar dos últimos três anos, que a ideia de refletir a essência de cada família somada a real necessidade de um bebê e o seu desenvolvimento foi ganhando força em meio as cores mais intensas, estampas e referências com posicionamento. Sim, decorar um quarto infantil passou a carregar propósito.

Criar marcas dentro desse nicho começou a fazer diferença. E a identidade do que se desenha para os produtos passou a retratar conceitos sociais, comportamentais – e até políticos. O fofo virou cool e deu-se a largada para uma série de novidades que tinham como base um belo mix de design e linhas comportamentais – olhares inovadores, releituras de peças icônicas… E a bonita preocupação com o crescimento de quem ali habitaria, os pequenos.

O resultado está aí: roupa de cama com menções a artistas mulheres, quadros com frases de efeito, tapetes que defendem causas ambientais e detalhes que costuram lembranças. O quarto que recebe a nova vida, hoje é repleto de memórias afetivas, saudosismo e esperança.

E não é isso, afinal, que os filhos despertam nos pais? O anseio de um mundo melhor e o nó da garganta da saudades de uma vida em já foram protagonistas? Quando a criança, então, passou a vivenciar aquele ambiente como construção do seu papel social e de um espaço para crescer e ser acolhido, entrou em cena a mensagem que se alastra: design é a criação daquilo que se encaixa, perfeitamente, à função que se destina. Vamos usar tudo isso a favor das próximas gerações?

Fernanda Emmerick é jornalista, relações-públicas, consultora de Bazaar Kids e criadora da agência de RP @meumini.mundo, especialista no universo infantil