O fechamento das escolas por conta da Covid-19 deixou mais de 1,5 bilhão de alunos, em 165 países, sem aula. Para minimizar os impactos da ação, que visa evitar aglomerações, a UNESCO lançou uma coalizão global para ampliar as práticas de aprendizagem a distância.

“Nós nunca havíamos testemunhado a interrupção educacional em uma escala como essa”, disse a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay. “A parceria é o único caminho a seguir. Esta coalizão é um apelo para a ação coordenada e inovadora, para desbloquear soluções que não apenas darão suporte imediato a estudantes e professores, como também por meio do processo de recuperação com o principal foco na inclusão e na equidade.”

Momento de falar sobre equidade

Desde o fechamento de escolas para conter a pandemia, os governos têm implementado soluções de educação a distância e lidado com a complexidade para oferecer educação de forma remota. A equidade é a preocupação suprema, porque os fechamentos prejudicam de forma desproporcional os estudantes mais vulneráveis, que dependem das escolas para receber uma gama de serviços sociais, incluindo saúde e nutrição.

“Nós devemos agilizar as formas de compartilhar experiências e ajudar os mais fragilizados, quer eles tenham acesso à Internet ou não”, disse Angelina Jolie, enviada especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), que fez parceria com a UNESCO no estabelecimento da coalizão.

A vice-secretária-geral das Nações Unidas, Amina Mohamed, expressou o pleno comprometimento da ONU com o projeto, e alertou que “para milhões de crianças e jovens de origens desfavorecidas, o fechamento de escolas pode significar a perda de uma rede de segurança vital – de nutrição, proteção e apoio emocional”.

Ela acrescentou que este não é o momento para aprofundar as desigualdades. “É tempo de investir no poder transformador da educação. Na medida em que entramos na década de ação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, nossa responsabilidade como uma comunidade global consiste em não deixar absolutamente ninguém para trás.”

Os parceiros multilaterais, incluindo Organização Internacional do Trabalho (OIT), ACNUR, Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Organização Mundial da Saúde (OMS), Programa Mundial de Alimentos (WFP) e União Internacional de Telecomunicações (UIT), bem como Parceria Global para a Educação, Education Cannot Wait, Organização Internacional da Francofonia, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Banco de Desenvolvimento Asiático se uniram à coalizão, destacando a necessidade de apoio rápido e coordenado aos países, a fim de suavizar os impactos adversos do fechamento de escolas.

O setor privado, incluindo, Microsoft, GSMA, Weidong, Google, Facebook, Zoom, KPMG e Coursera, também se uniu à coalizão, contribuindo com recursos e sua expertise em tecnologia, sobretudo em conectividade e no fortalecimento de capacidades.

A tecnologia a serviço da educação

Organizações filantrópicas e sem fins lucrativos, como Khan Academy, Dubai Cares, Profuturo e Sesame Street, também já fazem parte da iniciativa, e estão mobilizando seus recursos e serviços para apoiar escolas, professores, familiares e estudantes durante este período inédito de interrupção educacional.

A coalizão se esforçará para atender às necessidades com soluções gratuitas e seguras, unindo parceiros para tratar dos desafios da conectividade e de conteúdos, entre outros. Além disso, irá fornecer ferramentas digitais e soluções de gestão da aprendizagem para colocar online recursos educacionais nacionais digitalizados, e selecionar recursos para o ensino a distância e fortalecer a expertise técnica, ao usar uma combinação de abordagens tecnológicas e comunitárias, dependendo dos contextos locais.

Em todas as intervenções, será dada atenção especial para garantir a segurança dos dados e a proteção da privacidade de estudantes e professores. “Nós estamos trabalhando juntos para encontrar uma forma de assegurar que as crianças de todos os lugares possam continuar sua educação, com cuidado especial às comunidades mais vulneráveis e desfavorecidas”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

Saiba mais: https://nacoesunidas.org