
Giorgio Armani , Inverno 2026 – Foto: Getty Images
Por Cássio Prates
Essa era a pergunta que antecedia o desfile. A resposta veio clara e direta: seria, essencialmente, a mesma. E isso, longe de ser um problema, é parte da força do legado.
A coleção manteve intacta a identidade da maison, mas introduziu sutis deslocamentos. As cores ganharam nova ênfase, com azuis, verdes e tons de vinho dialogando com a tradicional cartela de cinzas. A mistura de materiais apareceu de forma mais ousada, com destaque para o uso do veludo em combinações menos previsíveis, sem comprometer a sobriedade característica da marca.

Giorgio Armani , Inverno 2026 – Foto: Getty Images
Sob a direção de Leo Dell’Orco, após quatro décadas de convivência direta com Giorgio Armani, a coleção revela um desejo contido de expressão pessoal. Ainda assim, preserva a elegância rigorosa e a precisão técnica aprendidas ao longo dos anos, numa leitura que respeita profundamente o vocabulário construído pelo fundador.
O desfile inevitavelmente conduziu a uma reflexão sobre o legado de Armani na moda masculina. Lembrou também Yohji Yamamoto, que recentemente prestou uma homenagem a Armani ainda em vida. Ambos compartilham uma coerência rara: seguem criando a partir das próprias convicções, sem ceder ao ruído externo. Essa fidelidade foi claramente respeitada nesta primeira coleção sem a presença direta de Giorgio.

Giorgio Armani , Inverno 2026 – Foto: Getty Images

Giorgio Armani , Inverno 2026 – Foto: Getty Images
A tentativa de inserir uma atmosfera mais solta, quase um “let it go”, evocada pela trilha de reggae, acabou evidenciando justamente a ausência do fundador. Faltou ali o gesto autoral que transforma intenção em discurso pleno.
Ainda assim, foi um desfile respeitoso e consistente. Em um tempo em que tudo é rapidamente esquecido, manter a memória, a continuidade e a identidade é, por si só, um ato de resistência.

