
Foto: Reprodução/Instagram @auralee_tokyo
Por Cassio Prates
Mesmo que de forma constante e, às vezes, repetitiva, os designers japoneses reforçam uma maneira autêntica de pensar a moda masculina. Foi assim nos anos 80, em seu “outing” em Paris, quando deixaram tudo preto, estruturado, com shapes mais amplos e desconstruídos. Desde então, continuam surpreendendo, com uma constância rebelde e questionadora.
O desfile da Comme des Garçons, que parecia mais do mesmo (com looks pretos desconstruídos, cabeças com perucas descabeladas e máscaras de hóquei que lembravam Hannibal), fez todo o mundinho sair impressionado. O clímax veio quando todos aguardavam a fila final, com seus celulares em punho, e, em vez de repetir os looks já desfilados, uma nova entrada, um desfile totalmente novo, surpreendeu. Todo em branco, contrastando com o preto e o cinza, deixou a plateia entusiasmada e animada. Nos sapatos com lapelas gigantes, Rei trouxe escrito seu mantra, “minha energia vem da liberdade”, e essa energia livre é o que faz a marca continuar como uma das mais inventivas e, ao mesmo tempo, tradicionais até os dias de hoje.
A mesma energia apareceu no desfile do Yohji Yamamoto, que segue como um contestador repetitivo da moda anti-moda. Nesta temporada, pensou sobre as condições de trabalho insalubres e trouxe uniformes militares de combate de forma suave e bagunçada, para melhor atravessarmos essa onda forte e duradoura que estamos vivendo. O estilo oscilava entre o excêntrico e o engenhoso, com punhos dobrados, calças de veludo cotelê com cadarço e os clássicos conjuntos pretos desestruturados.
Issey Miyake, igualmente, reforçou o estilo da marca, quase como um culto. “Forma sem forma”, nome da coleção, manteve o legado de seu criador, com mais cores, estruturas mais limpas e menos plissadas, de maneira impactante e bonita.
O destaque fica com Auralee, que respondeu à pergunta: o que torna o inverno alegre? Com uma mistura de texturas, casacos com forro felpudo, camisas leves e transparentes, couro e veludos, e um estilo que sugere conforto e elegância de forma não óbvia, trazendo momentos de calor, mesmo no frio.































