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Por Cassio Prates

Tudo indicava que uma onda forte iria bater hoje no depósito da Fondazione Prada, quando a signora Miuccia Prada e Raf Simons apresentaram a coleção masculina FW26. O som era alto, de ondas que pareciam estar batendo no cenário, cheio de portas e esquadrias que lembravam vestígios de casas antigas, agora colocadas em exibição pública.

A onda veio com rock, com Virgin Prunes e Suicide. Os looks transmitiam a ideia que a dupla chamou de evolução sem apagamento, ou seja, lembrar é um sinal de respeito. Eu diria que havia ali também uma certa rebeldia escondida na limpeza dos looks.

A silhueta super alongada e quadrada lembrava muito os momentos underground de Raf em sua marca homônima, essa herança de um rebelde mais jovem, que misturava isso com elementos tradicionais. Os punhos e abotoaduras, os chapéus amassados, assim como os valores e o gestual, tudo deve ser contestado ou respeitado, mas nunca apagado.

É aí que mora o luxo da Prada. Tudo parece super simples e chic, mas, nos detalhes, carrega um confronto e, de certa forma, confronta uma era que esqueceu de tudo, inclusive de protestar, e perigosamente repete o pior da história a favor do poder.

Em tempos bicudos, a limpeza pode trazer uma certa segurança e um entendimento que nos ajuda a continuar. Mas a rebeldia de não esquecer o passado para não repeti-lo é algo fundamental na vida e na moda.