“A grande renúncia masculina.” Foi essa a definição do psicólogo inglês J.C. Flügel para as mudanças drásticas no guarda-roupa dos homens nos ventos da Revolução Industrial. Depois dos dândis sensíveis e macaronis coloridos do século 18, não sobrou espaço para a excentricidade na etiqueta masculina e eles, hélas, se tornaram reféns do “pretinho básico”. Expressão de personalidade? Pouquíssimas. Além das cartolas (de feltro para os mais básicos; de pele ou seda para os fashionistas), sobraram apenas os detalhes – relógios, cigarreiras, bengalas e canetas. Em dois séculos, a cena quase não mudou, mas a novidade do momento estende as possibilidades: broches, paixão pessoal deste editor.

É fácil explicar o motivo – são companheiros perfeitos, herdeiros naturais dos pins de gravatas, queridos dos avôs de personalidade e uma alternativa chic para vários tipos de bolso e de gostos. Em brechós e feirinhas de antiguidades (brocantes em Paris), estão por toda parte – e, nas maisons de luxo, são acessórios cada vez mais procurados. Sob o olhar dos diretores criativos mais fashionistas, o item começou a se tornar desejo ainda nos tapetes vermelhos, decorando lapelas de atores e artistas multigeracionais que inspiraram os homens nas ruas a assumir o glamour sem tabus.

Os broches, afinal, são criados sem limites de gênero: flamingos ousados, mais românticos, são sucesso na Balmain, enquanto aranhas brilhantes, punks e nervosas, representam a acidez do estilo de Alexander McQueen. Flores (o clichê favorito, com bom motivo) são várias – e a variedade delas no acessório é quase tanta quanto as dos jardins botânicos. Para os mini- malistas, os alfinetes dourados da Goossens já demostram sensibilidade. Mais fashionistas? As margaridas da Dolce & Gabbana. Para os mais discretos? As pétalas negras da Van Cleef & Arpels. Agora, é só prender bem na lapela – o resto, pode deixar que os broches fazem.