Foto: Reprodução/Instagram @milanfashionweek

Por Cassio Prates

Havia uma evidente ambição de mudança: abrir uma nova era, ou um novo propósito para o vestir. Era uma sensação de passar a régua. Falava-se em clareza no release, e o galpão da Fondazione Prada estava inteiramente iluminado por lâmpadas brancas que surgiam do chão.

Os looks eram o avesso do avesso: justos ao extremo, macérrimos e inéditos para uma nova geração que ainda não viveu muita coisa. Havia muito da estética dos anos 2000 de Raf Simons e dos desfiles da Prada daquela época. Os códigos estavam lá, assim como os básicos, mas reconfigurados. Existia um ar de festa, embora estéril e futurista. Não havia bolsas; elas apareciam penduradas em cintos largos. Acima de tudo, a coleção refutava um tipo de glamour preestabelecido.

Os conjuntos jeans, os couros, as estampas à la Gio Ponti e as calças transparentes sugerem uma Prada next generation — ou seria last generation?

Miuccia falou que moda é aquilo que as pessoas querem usar em determinada época. E é aí que entra uma certa ironia, que não chega a ser rebeldia: colocar como ponto central da coleção coisas que ninguém imagina querer usar agora. Em um mundo meio perdido, parece inteligente oferecer uma perspectiva diferente para o presente, mesmo que ela esteja nos videogames, na festa à qual ninguém vai ou no mantra que todos escutavam na trilha da entrada final.