Foto: divulgação
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Por Maria Clara Vergueiro

Quem assistiu ao último Amor & Sexo, na rede Globo, viu uma apresentadora emocionada se despedir de um projeto que durou sete anos. E que pouco tempo depois anunciaria uma nova temporada para 2017, a pedido dos fãs – e até do filho. Não é possível imaginar que um dia a gaúcha Fernanda Lima possa ter titubeado diante do convite para comandar o programa sobre sexualidade. O desafio parecia grande, mas ela abraçou a causa e, com muita doçura e irreverência, conquistou o público, mesmo quando tratou de temas polêmicos e desconfortáveis. Foi enfrentando os próprios medos que Fernanda Lima acabou acumulando bastante conhecimento sobre sexo. O repertório afinado ela divide com a Bazaar Noiva.

Bazaar Noiva: Antes do Amor & Sexo, você já havia se aventurado em outros programas que tratam desses dois temas. O que você acha que acabou te puxando para esses trabalhos?

Fernanda Lima: Jamais imaginei que esses temas fariam parte do meu trabalho! Quando me convidaram para fazer o Fica Comigo, eu achei que não havia possibilidade de dar certo: não tinha nada a ver comigo. Sempre tive pavor de fazer papel de cupido. Mas eu tinha um contrato e precisava aceitar. Também não enxergo como o Fica Comigo possa ter puxado o Amor & Sexo porque, quando fui para a Globo, foi para fazer novela. Os diretores nunca tinham visto o programa. Aconteceu mais ou menos a mesma coisa: pensei: “Mas EU vou falar sobre isso?! Mal converso sobre sexo com as minhas amigas!”. Só que eu estava muito a fim de fazer programas de auditório e os diretores estavam confiantes de que eu ia dar conta do recado. Fizemos o piloto e eu adorei. No fundo, acho que eu tinha medo de falar de sexo, que é um tema que gera insegurança. Mas aí fui curtindo muito, porque não tinha nada na TV que falasse de sexualidade abertamente e de forma leve. Eu vi que tinha um espaço tremendo, muito assunto para debater, e aí acreditei. Passei a me interessar de verdade, a me informar mais. Hoje, leio bastante e me sinto mais preparada. Não sou uma especialista, mas posso falar com muito mais naturalidade. De qualquer forma, minha posição é sempre de alguém que não sabe nada, que está descobrindo.

O Amor & Sexo tinha sempre um clima de fantasia e humor. De que maneira você acredita que esses dois elementos contribuem para a vida sexual de um casal? 

Acho que a fantasia permeia nosso inconsciente e alimenta a vida real, que às vezes pode ser um pouco monótona. Serve para a gente poder tirar o peso da realidade. Ninguém vive sem um pouco de fantasia. E o humor, então! É fundamental! Admiro muito mais as pessoas que têm humor. Eu, por exemplo, estou há 15 anos com a mesma pessoa (o ator, apresentador e modelo Rodrigo Hilbert). Se não tiver graça, brincadeira, sorriso, provocação, fica muito chato. Faço sempre questão de que minha vida seja divertida, com grandes gargalhadas.

Qual é o clichê que você ouvia com mais frequência comandando o programa?

O ciúme ainda é a grande assombração das relações. As pessoas evoluem, experimentam coisas novas, mas o ciúme acaba sempre rondando. E qual foi a estratégia mais original que você já ouviu alguém defender em nome de uma vida sexual mais animada? O que eu mais escuto é gente tentando abrir os relacionamentos. A Regina (Navarro, psicanalista, consultora e participante
do programa) diz que é uma tendência. Não é exatamente uma novidade, mas tem um número cada vez maior de gente querendo trazer mais uma pessoa para dentro da vida sexual. Às vezes, até para continuar junto por causa do sexo que não vai bem. Agora,
cada casal tem suas regras, o que dá certo para um, pode não dar certo para outro.

Então as pessoas continuam tendo uma percepção do sexo no casamento como algo mais morno mesmo? Você não vê alguma evolução nesse sentido?

O que eu vejo de evolução é a libertação das mulheres, o direito ao prazer, que, na verdade, é algo bem recente, que acontece
de 50 anos para cá. O comportamento feminino vem mudando. As mulheres estão conseguindo ir atrás do que dá prazer a elas, partindo para a ação. Essas atitudes “novas” mudam a relação de um casal, trazem mais prazer. Eu acredito que um homem bacana queira ver sua mulher ter prazer e nós estamos fazendo parte dessa mudança de postura deles também. Então, esse papo de “relação morna” acontece porque muita gente se acomoda. Hoje não é mais uma obrigação ficar junto, qualquer pessoa que não esteja satisfeita sexualmente pode ir à luta: ficando solteiro, chamando mais alguém para participar, buscando alternativas diferentes com o parceiro.

Você costumava se identificar com as questões que surgiam do auditório e do pessoal da bancada do programa? O que mais te divertia nessa brincadeira toda?

Eu me identificava porque são questões comuns, assuntos corriqueiros. O que mais me divertia era ouvir as opiniões. Às vezes, falavam coisas que eu jamais imaginaria que aquela pessoa pensasse! Saber o que se passa na cabeça de cada um é muito interessante. Existe um senso comum de que artistas são superliberados, mas, olhando de perto, a gente vê que não é bem assim.

O que as pessoas te perguntam? 

Os homens reclamam da mulher que não quer transar. Eu pergunto: “Mas será que você está fazendo tudo direitinho? Quem sabe juntos, com um pouco de diálogo, vocês descubram um prazer”. Senão fica cada um fazendo sexo sozinho. O último programa falava de romance. O clima romântico na sua opinião, ajuda ou atrapalha o sexo? Apaixonado é sempre mais gostoso. Sou absolutamente romântica, adoro ser romântica e que meu marido seja romântico, e isso faz toda a diferença: ter mais beijo, mais abraço, estar sempre buscando a mão do seu parceiro… isso não tem nada a ver com sexo.

Agora é esperar o que a próxima temporada reserva para os fãs.

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