Penha Maia – Foto: Arquivo Pessoal

Por Leo Oliwer

Inspirada pelo afeto familiar, a estilista Penha Maia não podia imaginar que os bordados tramados na infância fossem levá-la às narrativas de tantas histórias de amor. Como ela mesma conta, a sua biografia e a Pó de Arroz, marca inaugurada há 12 anos, podem ser descritas como um só coração.

A artista paraibana, nascida na cidade de Cajazeiras, sempre esteve empenhada na construção de laços duradouros, na importância dos valores e, claro, no desenvolvimento do trabalho manual, que, aliás, vem repleto de aspectos decisivos em sua carreira.

Na adolescência, ela já mostrava inclinação para o universo criativo por conta do seu curioso costume de dar um toque pessoal – doce e divertido – em todas as roupas que tinha em mãos. Esse gosto pela customização muitas vezes foi chamado de “desconstrução”, porém, é evidente que ali estava uma mente pronta para reinterpretar os códigos da moda.

Vinda de um estado que transborda romantismo e que tem vocação para revelar grandes talentos, a exemplo de Sivuca e de Chico César, é fácil entender o porquê de o amor figurar no ponto mais alto de sua trajetória. Motivada pela busca de um irmão que se perdeu, Penha precisou expandir os horizontes até desembarcar em São Paulo. Em solo paulistano, ela concretizou o desejo de estudar moda, e seguiu determinada a criar a própria grife.

Como assistente, atuou em diversas empresas de confecção, onde teve a chance de apurar o olhar e de turbinar o viés artsy. Já com expertise, a moça colocou em prática a ideia de costurar finais felizes – ou seja, fazer vestidos de noiva era exatamente o que lhe renderia a tal da satisfação criativa. Visionária, ela logo estabeleceu um conceito particular para a roupa de casamento: mais leve, com detalhes vintage e silhuetas elegantes.

O ateliê Pó de Arroz abriu as portas com a coleção “Pierrot e Colombina”, cuja peça mais emblemática era o vestido de noiva “Sonho de Marrie”. “É inevitável não falar da profundidade emocional desta série e do nosso maior best-seller, que continua a definir a essência da label”, diz.

Por sinal, o frescor e a simplicidade de uma noiva romântica sempre foram as apostas da estilista. “O sentido do vestido que faço é justificado a partir da relevância de cada união.”

Durante os tempos bicudos de pandemia, Penha confessa que as incertezas cravaram em sua consciência a frase “O amor pediu para esperar”. Mas, como depois da tempestade vem a bonança, o lema acabou ressignificado para “O amor esperou, mas finalmente o grande dia chegou”.

Para o fim do primeiro semestre de 2022, a brand vai lançar a coletânea “Loucos Anos 2020”, recheada de bordados e de pedrarias, além de formas geométricas de proporções descomplicadas que dialogam com a movimentação ampla e cheia de atitude da mulher moderna. Ao todo, serão 45 vestidos de noiva, com destaque para o modelo dois em um “Josephine”, desenhado com recortes simétricos e ousados. “Toda a atmosfera de transformação global que estamos experimentando hoje serviu como base para traçar esse enredo permeado por esperança e compartilhamento. É hora de lembrar-se que o amor sempre tem lugar em nossas vidas”, pontua.