Foto: divulgação
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Em depoimento exclusivo à Bazaar UK, Charlette Bunn conta como foi a experiência de inverter os papéis e fazer o pedido de casamento ao seu então namorado. Confira abaixo! 

Para mim, o amor não tem fronteiras. Talvez seja por isso que passei boa parte desse ano planejando inúmeras maneiras de propor em casamento meu (agora) noivo. Eu pensei em várias opções: será que eu deveria esperar para nossa viagem para a África do Sul, onde vamos estar perto da família? Devo esperar ele passar cinco horas pacientemente me ensinando a esquiar? Ou, devo esperar por outra experiência incrível ? Em última análise, essa opção ganhou.

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Juntos, nós tínhamos planejados uma viagem de caiaque a um arquipélago sueco para comemorar o aniversário dele de 30 anos longe de nossas vidas agitadas em Londres; apenas para curtir a natureza. Depois de chegar a Estocolmo, fomos para Santa Ana, onde nós – completamente sozinhos, apenas com o nossa bússola e equipamento de camping – remamos para o local deserto. Passamos os próximos quatro dias colhendo morangos silvestres, testando nossas habilidades culinárias em equipamentos de camping e lendo livros. Se não fosse pelas tensões de “oh meu deus, este é o local perfeito, eu deveria pedi-lo agora?”, teria sido excepcionalmente relaxante. Eu me considero uma parte progressista e igualitária da relação, então eu estava surpresa da minha necessidade de fazer “o pedido perfeito”. Aí me lembrei de quem éramos como um casal e percebi que não importava se estivéssemos no lugar perfeito, o que importava era que estávamos juntos e queríamos compartilhar nossas vidas.

Antes de ficarmos noivos, discutimos muito o casamento em si. Antes, eu era completamente contra essa instituição e o que ela representava. Eu achava que casamento e noivado eram um marco do anti-feminismo: o homem que fazia o pedido, a mulher era como uma propriedade, ele precisaria ter um diamante, você precisa andar até o altar com o seu pai, e etc. Então, levou tempo colocar em prática minhas crenças feministas nesse contexto; era importante para mim descobrir quais tradições eu queria rejeitar e o que a minha interpretação pessoal do feminismo permitia.

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Ao decidir pedi-lo em casamento, eu não abandonei a “clássica pergunta” dos noivados, mas eu tentei subvertê-la. Em uma carta para o meu noivo, eu escrevi um poema e coloquei uma foto de um relógio de noivado que eu tinha escolhido para ele (não queria levar a peça de verdade para a Suécia com medo de ela cair na água). Eu entreguei para ele um cartão de aniversário junto com o café da manhã favorito de acampamento – abacate amassado na torrada – e quando ele abriu eu me senti incrivelmente vulnerável, como se ele tivesse segurado todo o meu coração e alma em suas mãos. Então ele olhou para mim e perguntou: “Sério? Sim!” Nós choramos e rimos, nos abraçamos e beijamos e dividimos o resto do nosso café, nos arredores de Santa Ana.

Como parte da preparação do meu pedido, dediquei um precioso tempo de procrastinação – entre estudar para o meu mestrado – para escolher um relógio de noivado.No fim, acabei sendo um pouco egoísta e escolhi um modelo que parecia ser o melhor, o mais “a cara” dele e dentro no meu limite de preço (imagino que a maioria dos homens fazem o mesmo para escolher um anel, não?). Quando retornamos a Londres, nós fomos ver o relógio, e inesperadamente o meu noivo sugeriu que ele também contribuísse para a compra, aumentando um pouco o nosso orçamento. Isso nos permitiu escolher outro relógio juntos. Nós mantivemos todas as características que eu tinha em mente e era muito importante que nós achássemos um modelo que nós dois amássemos.

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Quando falamos às pessoas sobre o nosso noivado, nos deparamos com uma série de reações, principalmente de animação. Algumas pessoas pedem para ver o meu anel – eu não tenho um – mas elas ficam felizes ao ver o belíssimo relógio do meu noivo.

Quase sempre, perguntam para o meu noivo se ele ficou surpreso. Eu odeio surpresas. Eu até leio a última página de um livro para evitar o suspense, então meu noivo definitivamente sabia que o pedido iria acontecer. Após cerca de um ano e meio de namoro – quando já estava por dentro das minhas percepções sobre o feminismo –, ele me disse que a resposta sempre seria sim caso eu quisesse pedi-lo em casamento.

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Embora já tenhamos firmado um compromisso um com o outro há muito tempo, como um casal, nós decidimos que ter uma cerimônia de casamento deixará nossa relação mais forte, além de aproximar amigos e familiares do nosso compromisso. Eu perguntei ao meu noivo se ele ficou triste que ele não me pediu em casamento. E ele disse que não, que achou isso tudo incrível.