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Por Ana Paula Buchala

No ano em que completa 10 anos, o uso do Botox para apagar as marcas do tempo está longe de ser uma unanimidade. Há quem não viva mais sem ele. E há quem não goste da expressão congelada, da testa lisa e brilhante e das sobrancelhas arqueadas, efeito da aplicação. Mas há um ponto em que críticos e adeptos concordam: o Botox provocou mudanças irreversíveis no terreno da estética. Embora não produza milagres, alimentou um sonho que parecia distante e impossível – o de eliminar rugas e flacidez sem ter de recorrer ao estica e puxa do bisturi.

O uso da substância aponta benefícios médicos que vão além da eliminação de rugas. Com ele é possível controlar desde a enxaqueca crônica e o suor excessivo até o mal da bexiga hiperativa. E as promessas para um futuro próximo são animadoras: entre elas, a de usá-lo para levantar os seios (o que, aliás, é mais do que aguardado pelas brasileiras) e controlar a acne: dermatologistas têm injetado a substância diretamente na pele para eliminar poros largos e controlar a produção de óleo que resulta em espinhas.

“Hoje, uma mulher de 45 anos, cheia de rugas, é vista como descuidada”, diz a dermatologista Renata Valente, da Universidade Federal de São Paulo. “Tratar a pele do rosto passou a constar na lista de cuidados básicos femininos, assim como fazer as unhas ou pintar os cabelos.” Uma aplicação custa entre R$ 1,2 mil e R$ 1,5 mil, e o efeito dura entre três e quatro meses.

Os críticos do Botox alegam que os que usam a toxina ficam todos iguais, com o mesmo rosto sem expressão. “Por ser uma marca forte, atribui-se ao Botox o uso mal sucedido de produtos que nada têm nada a ver com ele, como os preenchedores”, diz o dermatologista Jardis Volpe. A boa notícia é que, depois de tantos excessos, os médicos tendem a usá-lo com parcimônia, em doses menores e nos lugares certos, dependendo das características da pele e da musculatura do rosto. Hoje, já se usa a toxina até no contorno facial, no pescoço e na região da boca.

A toxina botulínica reina absoluta nos consultórios: foi o tratamento de rejuvenescimento facial não-cirúrgico mais usado no ano passado, segundo a Associação Americana de Cirurgia Plástica. O Brasil é o segundo país do mundo em uso de Botox – perde só para os Estados Unidos.