Cuidados com a beleza em casa vieram para ficar – Foto: Divulgação

O tempo que passamos em casa durante o lockdown, as reuniões por videoconferência e a atmosfera de higienização influenciaram em hábitos e também em desejos de consumo dos brasileiros. Abaixo, consultamos especialistas para mostrar quais serão as principais tendências de beleza e bem-estar com a reabertura do mercado de beauté:

Higiene elevada

Sabonete e desinfetante para as mãos podem não ser as categorias de beleza mais glamorosas, mas viraram as mais importantes. Diversas marcas entraram no segmento oferecendo esse tipo de produto, não apenas com os aromas e as embalagens atualizados, mas com formulações mais adequadas (leia-se: hidratantes) para a pele.

Isso por que, assim como o intestino, a pele tem seu próprio ecossistema único de bactérias, fungos e vírus que afetam seu funcionamento. “Manter o equilíbrio desse microbioma é essencial para manter uma pele hidratada e brilhante. Em meio à pandemia de Covid-19, onde a atmosfera ultra-higiênica nos faz pensar mais sobre a interação da nossa pele com o meio ambiente, um desequilíbrio desse ecossistema pode favorecer a irritação, ressecamento e sensibilidade da pele”, afirma Roberta Padovan, médica pós-graduada em dermatologia e medicina estética.

Por isso, fique atento ao rótulo: “limpeza suave”, “ação hidratante” são apelos necessários para esse tipo de produto.

Produtos de marcas transparentes

Pesquisas indicam que as marcas de cuidados com a pele que promovem a transparência dos ingredientes estão ganhando popularidade. “Clean beauty é uma tendência do setor de beleza que se iniciou no Japão. Trata-se de produtos que não contém ingredientes tóxicos, de forma que os rótulos desses produtos listam todos os ingredientes. Esse movimento vem principalmente de uma demanda do consumidor que está cada vez mais consciente quanto a substâncias possivelmente tóxicas como parabenos, oxibenzona, lauril sulfato de sódio e outros”, explica o dermatologista Daniel Cassiano, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Os consumidores querem saber o que há em seus produtos, e com razão. Essa pressão adicional tem feito com que as empresas busquem fórmulas mais sustentáveis, seja por meio de embalagens, formulações ou reduzindo sua pegada de carbono.

Uma das novidades é o xampu sólido. “Os defensores dos xampus sólidos consideram um produto mais econômico, mais prático e sustentável. Eles podem ser usados por qualquer pessoa. Os xampus sólidos podem ser aplicados diretamente no couro cabeludo ou pode se fazer um pouco de espuma nas mãos e aplicar. Os condicionadores podem ser aplicados diretamente nos fios, evitando a raiz e o couro cabeludo ou, da mesma forma que os shampoos, pode ser esfregar nas mãos e aplicar a quantidade desejada/recomendada”, explica a dermatologista Patrícia Mafra, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Proteção avançada contra luz azul

Graças à pandemia, quase tudo em nossas vidas se tornou digital. Mas, embora os efeitos prejudiciais da luz azul na pele não sejam segredo, as empresas estão descobrindo ingredientes mais inovadores que podem ajudar a combater esses efeitos. “Os dispositivos eletrônicos emitem radiação azul, que compreende uma faixa do espectro que causa danos à pele e ao cabelo. Uma das novidades é Pro Shield, um sucrapeptídeo vegetal, extraído do café verde, 100% natural e que age como protetor natural contra a poluição digital e poluição ambiental”, explica a farmacêutica Maria Eugênia Ayres, gestora técnica da Biotec Dermocosméticos. Outro ativo que pode ser usado é Shield MLDA, um peptídeo extraído do café torrado, que tem a capacidade de absorver a luz visível/azul neutralizando os malefícios desta radiação.

Produtos maskne

As máscaras faciais tendem a ter seu uso continuado mesmo após algum tempo de controle da pandemia, tornando sua pele mais vulnerável à irritação. “O surgimento e agravamento de quadros de acne também são uma preocupação nesse período, visto que, além do ressecamento, as máscaras também podem causar a obstrução dos poros”, alerta a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

É claro que o problema da acne tem causa multifatorial, mas uma boa rotina skincare e o uso de produtos adequados evita que a máscara seja um fator desencadeante. “Comece realizando a higienização da pele, o que deve ser feito com sabonetes específicos para o seu tipo de pele, ou seja, quem possui pele oleosa deve optar por sabonetes líquidos formulados com ativos seborreguladores, enquanto quem possui a pele mais ressecada precisa realizar a limpeza com mousses mais hidratantes. Mas, independentemente do tipo de pele, o ideal nesse momento é investir no uso de produtos mais suaves e evitar fazer uma fricção acentuada enquanto higieniza a pele para não causar agressões ao tecido. Logo depois, hidrate a pele, mesmo que ela seja oleosa”, aconselha a Paola.

Skinimalismo

Depois da pandemia, percebemos que não precisamos de tanto. Definitivamente o menos é mais. “A pele responde bem a um tratamento direcionado e não a um volume muito grande de produtos aleatórios aplicados sem orientação”, afirma a dermatologista Paola. O método de skincare conhecido como skip-care ou skinimalismo é um bom caminho, já que consiste na utilização de apenas três produtos que vão manter sua pele bem cuidada: um sabonete de limpeza, um hidratante e um filtro solar (usados nessa ordem).

Quer uma dica para não errar na escolha do hidratante anti-idade? Entenda seus genes. E como fazer isso? Por meio da realização de um exame genético. “Através do exame genético é possível identificar se o paciente possui genes que favorecem o surgimento de rugas, manchas, flacidez e ressecamento. Com isso, é possível escolher os ingredientes ativos ideais para tratar essas alterações”, diz o geneticista Marcelo Sady, pós-doutor em genética e diretor geral Multigene. “Por exemplo, através do exame genético é possível identificar a presença do gene MMP1, que está relacionado a uma degradação do colágeno oito vezes maior que o normal após a exposição solar”, explica o geneticista. “Nesse caso, a atenção com a proteção solar deve ser redobrada e reforçada com antioxidantes como vitamina C, SuperOX-C, Alistin, Exo-P, potencializada também por suplementação com ativos como Exsynutriment, Glycoxil e Bio-Arct”, explica a farmacêutica Maria Eugênia Ayres.

Saúde do microbioma

Saúde do microbiota tem sido uma palavra da moda na indústria há anos, mas muitas pessoas não sabem o que deve ser feito. “Nossa pele conta com um microbioma, uma ‘população’ de bactérias boas que nos protegem contra doenças e outros problemas, como ressecamento e sensibilidade da pele. A presença desses microrganismos mantém o pH da pele em equilíbrio. Mas usar sabonetes e cosméticos que reduzem demais essas bactérias pode deixar a pele desprotegida e suscetível a doenças de pele como a dermatite atópica e acne”, explica o dermatologista Daniel Cassiano. “Com relação à inclusão na rotina skincare, podemos incorporar pré e próbióticos que apoiem um microbioma saudável. Esses ingredientes podem ajudar na manutenção e equilíbrio do microbioma para ajudar a pele a se recuperar mais rapidamente de ingredientes ameaçadores. Podemos usar ingredientes derivados da fermentação, como lisados e filtrados bacterianos, que contêm metabólitos secundários ricos que nutrem a pele e o microbioma”, explica a Roberta Padovan. “Evite álcool no rosto. Eles são frequentemente encontrados em toners, e as pessoas com acne ou pele oleosa adoram como eles desengorduram a pele, mas isso tem um custo tremendo. Esses álcoois ressecantes danificam o microbioma e, por sua vez, a barreira da pele. Eles costumam ser listados nos rótulos como álcool SD, álcool desnaturado, álcool etílico ou álcool isopropílico. Por outro lado, os álcoois hidratantes, ou álcoois graxos, como o álcool cetílico, estearílico e cetearílico, são bons para a pele. Esses álcoois são emolientes, o que significa que mantêm a pele hidratada e flexível”, completa.

Procedimentos para “Zoom Face”

Semanas olhando para nós mesmos em videochamadas cobraram seu preço. As preocupações com a “Zoom Face” também estão aumentando. “O fato de estar em casa olhando no espelho ou fazendo uma videoconferência o dia inteiro, aliado à ansiedade e ao estresse característico desse período, pode ser um impulso para o autocuidado, o que é positivo, mas nós médicos devemos observar se isso não evolui para um caso mais sério de distúrbio de imagem, como dismorfia ou insegurança com a própria aparência”, acrescenta o cirurgião plástico Mário Farinazzo, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e chefe do setor de rinologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

As cirurgias mais requisitadas são a rinoplastia (do nariz) e a mentoplastia (do queixo), enquanto acima da máscara a blefaroplastia (das pálpebras) acompanha um aumento crescente de procedimentos injetáveis como toxina botulínica e bioestimuladores de colágeno, segundo o médico.

Tecnologias práticas

As opções de tecnologias não invasivas em consultório enfrentam um verdadeiro ‘boom’. Mas as tendências estão bem esclarecidas: os procedimentos, cirúrgicos ou menos invasivos, mais buscados são aqueles com menor tempo de recuperação, que diminuam o inchaço e que causem menos dor – mesmo que isso signifique mais sessões.

O clássico ultrassom micro e macrofocado, por exemplo, já tem versão 3D, no caso do Ultraction 3D, o que permite ajustar exatamente a profundidade onde o aparelho vai agir e o tamanho do dano térmico. Com isso, o tratamento é menos dolorido e reduz flacidez de maneira poderosa.

Além da tecnologia, as cirurgias também evoluíram nesse sentido. O grande destaque é a rinoplastia preservadora, nova técnica cirúrgica que traz resultados de forma menos invasiva, com menos inchaço e hematomas, além de tempo de recuperação reduzido. “A rinoplastia preservadora tem como objetivo corrigir problemas estéticos e funcionais do nariz de maneira menos agressiva que a rinoplastia estruturada, técnica tradicional que, apesar de trazer bons resultados a longo prazo, exige longo período de recuperação e causa dificuldades caso seja necessária uma segunda intervenção”, explica Mário Farinazzo, que trouxe a técnica de maneira pioneira ao Brasil.

Além disso, aliado a esse conceito, está o de menos resultados iguais de “harmonização”, que mais parecem padronização, e mais “otimização facial” com efeito natural. É exatamente isso o que buscam os pacientes no pós-pandemia, segundo Farinazzo.

Beauty health

A tendência consiste em melhorar a aparência da pele ao mesmo tempo em que promove manutenção da saúde do tecido cutâneo. No Brasil, uma novidade que acabou de chegar já promove essa experiência: é o HydraFacial, um equipamento de hidrodermoabrasão capaz de proporcionar uma experiência única, conferindo a melhor pele da sua vida. Como conta com a exclusiva e patenteada tecnologia Vortex-Fusion®️, gera um efeito de vórtice para expelir e remover facilmente as impurezas da pele enquanto confere hidratação.

A experiência-base, em três etapas, é personalizável para atender às necessidades específicas de cada pele, com esfoliação, extração (com hidratação) e aplicação de antioxidantes, mas pode ser complementada com boosters, peels, LED’s, perks e terapia linfática.

Prevenção em casa e na clínica

Já que está cada vez mais em voga a ideia do resultado natural e do autocuidado, as pessoas tendem a investir em um skincare potente e buscar tratamentos preventivos, com um número maior de pacientes jovens adentrando os consultórios médicos. Em casa, o melhor a fazer é começar desde cedo a repor ácido hialurônico na pele.

Em consultório, os tratamentos de ‘prejuvenation’ são os mais procurados. “O prejuvenation consiste na realização de tratamentos de rejuvenescimento antes mesmo dos sinais de idade aparecerem, o que é uma excelente maneira de envelhecer bem. Além disso, cuidar da pele de forma preventiva facilita muito o tratamento dos sinais da idade quando eles realmente começarem a surgir”, explica a dermatologista Paola Pomerantzeff. “Uma excelente maneira de realizar o prejuvenation é apostar em procedimentos que estimulam colágeno para criar uma poupança dessas fibras para o futuro. Invista, por exemplo, em procedimentos como o skinbooster, um ácido hialurônico que não dá volume, mas sim confere hidratação, estimula o colágeno e melhora as linhas”, finaliza a médica.