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por Anna Paula Buchalla

O seu treino da academia é do tipo old school, com máquinas, halteres, pesinhos e anilhas? Bom para você, que está totalmente up to date com as principais tendências em fitness. A musculação aparece entre as top 5 da lista dos exercícios mais praticados em 2016, segundo a Academia Americana de Esportes. E, claro, a volta dos pesos livres também pode ser vista no Instagram de modelos e celebs de todo o mundo. Há algum tempo, a modalidade tinha perdido espaço para modismos como treino funcional, barras, HIIT (o treino intervalado de alta intensidade) e outros. Não que eles tenham sumido de vez: continuam agradando, mas de forma diferente. “As pessoas começaram a perceber que dá para fazer tudo, mas sem deixar de lado a musculação”, diz Talyta Vieira, professora de musculação da Competition. E quem a abandonou está voltando atrás.

Com a promessa de serem mais atrativas, dinâmicas e divertidas, as atividades da moda evidentemente viraram hits instantâneos e ocuparam o lugar de destaque, antes restrito à musculação. Não tem jeito: treinar com peso é cansativo, principalmente quando se faz apenas isso. Séries de 8, 12, 15 repetições… são monótonas, extenuantes aos músculos e requerem muita, mas muita disciplina. Só que esses são os treinos que realmente funcionam para hipertrofia e para modelar o corpo. E não somente para isso: com o envelhecimento, perde-se 10% de massa muscular ao ano. A musculação – apenas ela – retarda essa perda. Há benefícios ainda para a densidade óssea e o músculo cardíaco, que trabalha com mais força. Vários estudos científicos já associaram exercícios com peso à prevenção de diabetes e doenças crônico degenerativas. Sem falar que eles evitam os riscos de lesões e protegem as articulações.

Movimentos feitos com o peso do corpo, bolas e elásticos, que são o core do funcional, dão resultados incríveis, mas sutis. Quer um braço com músculos saltando? Quadríceps rasgados como os de um atleta? Então, tem de pegar pesado. “Costumo dizer que a musculação deve ser agregada a todas as atividades, em maior ou menor grau”, afirma Talyta. Depois de passar pela esteira das supernovidades, os profissionais do fitness chegaram ao consenso de que o ideal é misturar a musculação com esses treinos mais dinâmicos. Muitas academias, como a Competition, resolveram unir as duas salas – musculação e funcional – justamente para incentivar essa troca. Entre uma série e outra, o aluno pode usar cordas, escada, fazer exercícios com o peso do corpo, saltos e passadas. Parece simples, mas isso animou os praticantes da musculação. “Eles ficaram mais motivados e não deixam de fazer o que precisam”, conta.

O bom dos exercícios da moda é que eles são ótimos complementos. “O funcional, por exemplo, é excelente para quem gosta de correr, nadar e pedalar, para melhorar a postura e os movimentos, sem deixar o corpo pesado”, explica a professora da Competition. “Quem quer resultado tem de passar pela sala de musculação e pela hipertrofia tradicional, com anilhas e pesos livres”, ensina Eduardo Netto, diretor técnico da Bodytech. Segundo ele, muitas aulas da rede de academias têm trazido o HIIT para a musculação, com um mix de funcional e máquina, para atender essa demanda de volta. Variedade é a palavra-chave.

A Runner, por sua vez, acaba de lançar uma aula de alta intensidade, a Red Zone, que mescla exercícios ergométricos, funcionais e, claro, musculação. O treino com estações de corrida, remo indoor, funcionais, bike e máquinas com peso tem ainda monitoramento cardíaco em tempo real. Isso para se certificar de que todos estejam dentro da zona-alvo. Os dados dos frequencímetros são projetados em telões. “Além de garantir o controle da intensidade da atividade, a visualização da frequência cardíaca estimula a superação”, diz Guilherme Moscardi, coordenador técnico da Runner. É possível gastar até 1.000 calorias por aula. Fala-se em perda de até 3,5 kg por semana, com no mínimo três aulas. Percebeu por que está na hora de voltar?