Conheça mais no site mahamudrabrasil.com.br - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Conheça mais no site mahamudrabrasil.com.br – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Por Rosana Rodini

Uma segunda-feira pós-final de semana de incontáveis excessos. E os termômetros marcando indecentes 38 graus em São Paulo. “Preciso de uma desculpa urgente”, falo para mim mesma. Tarde demais. A caminho do Parque do Ibirapuera, onde faria minha iniciação no Mahamudra Brasil, treino que virou febre entre os adeptos da boa forma zen, pero no mucho, só penso que trocaria meu mundo por uma cerveja estupidamente gelada e mandaria às favas o tal projeto verão.

Antes de concluir o pensamento, chego, pontualmente, ao local. São três da tarde. “Respirem, prendam o ar, agora soltem. Mantenham os pulmões vazios. Mentalizem a energia verde entrando, curando seus órgãos vitais.” Assim começa a aula, sob uma árvore milenar, deduzo, ao lado da serraria do parque. Cesar Curti, o criador da coisa toda, é quem guia o grupo de 15 pessoas, repórter inclusa. “Fechem os olhos”, ordena. Eu, que sofro de ansiedade latente e curiosidade aguçada, espio. O corpo de Cesar, surrealmente perfeito, parece resultado de um descarado photoshop. Não estivesse ele a poucos metros de distância, teria lá as minhas dúvidas. “Trabalho diferentes habilidades, que complementam umas às outras. São capacidades físicas que precisamos no dia a dia”, me explica ele.

Mahamudra significa estado de hiperconsciência, também conhecido como nirvana. Mahamudra Brasil é o resultado da vontade de três amigos (Cesar, o idealizador, Bruno Peloy e Rodrigo Lima, seus sócios), que decidiram transformar treinos físicos em filosofia de vida e, por que não, em business também. Hoje, três vezes por semana, em três turnos (de manhã, à tarde e à noite), grupos de 20 pessoas, que pagam R$ 250 mensais, se encontram para suar a camisa com uma série de exercícios que combinam yoga, técnicas respiratórias, abdominais, flexões, lutas marciais, treinamento militar, aeróbica, corrida e posição de águia (sim, ela existe e eu fiz), entre outros. São aulas ao ar livre de curta duração e muita, mas muita mesmo, intensidade.

A aula agora me coloca de ponta-cabeça (não vá de short solto, como eu fui, porque você pode passar algum constrangimento, como eu passei). Na caixinha de som portátil, uma trilha sonora meio Rocky Balboa incentiva os participantes. Em posição de ponte, observo uma aluna ao meu lado. Não é magra, longe disso, mas tudo em seu corpo é músculo. Ela faz os exercícios com a face rígida e a bunda idem.

Sinto-me num treinamento de Tropa de Elite. A cada exercício, a tal aluna profere sons quase sexuais. Tenho vontade de rir. Caímos as duas ao mesmo tempo, suando em bicas. Minhas pernas doem. Ela dá tapinhas nas costas igualmente musculosas da amiga. Uma hora de treino pesado depois, começa o relaxamento final, seguido de meditação induzida.

Eu fujo. Até aguento, em nome do desafio, da matéria e do tal projeto verão, uma hora de malhação e até mil calorias gastas. Mas não há ossos do ofício que me faça encarar meditação. Vou embora com as coxas latejando. Deixo lá os outros alunos, que agora me parecem estar em alfa, entregues à tal filosofia de unir corpo e mente para alcançar a tão sonhada boa forma. Certamente, eles vão chegar ao verão bem melhor do que eu.