Miryam Lumpini – Foto: Jamie Nelson

Recentemente, a KVD Beauty passou por um rebrand – mas sem deixar para trás sua essência disruptiva e artística. Nesta nova fase, a marca conta com embaixadores icônicos de todas as partes do mundo, os chamados role breakers, como a tatuadora Miryam Lumpini, a “it girl” do cenário da tatuagem de Los Angeles.

Nomeada diretora global de arte da KVD Beauty, ela é uma das estrelas do lançamento de Epic Kiss Nourishing Vegan Butter Lipstick, nova linha de batons. Com 15 cores inclusivas, une alta pigmentação e fórmula hidratante de tratamento labial – a novidade chega neste mês à Sephora. “Fiquei honrada quando a KVD Beauty me convidou para representar uma das muitas ‘badass role breakers’ que estão por aí na nova campanha de Epic Kiss. Enquanto crescia, sendo uma das únicas garotas negras no interior da Suécia, nunca sonhei que minha jornada me levaria a este ponto incrível em minha vida. Ao fazer o que mais me apaixona criativamente, espero inspirar outras pessoas ao meu redor, como meu filho, ainda bebê, a crescer sabendo que não há regras para definir seu papel e propósito na vida, e a correr riscos para realizar seus sonhos”.

A linha de batons Epic Kiss Nourishing Vegan Butter Lipstick – Foto: Hudson Cuneo Product Photography

Abaixo, a entrevista de Miryam à Bazaar:

Quando você decidiu que queria ser uma tatuadora?

Tive um projeto escolar onde deveríamos pesquisar e escrever sobre os nossos empregos dos sonhos, e os dois que escolhi foram os que mais me interessavam na época: cuidadora de golfinhos e tatuadora. Cuidando de golfinhos teria uma vida regada à fofura, mas não ganharia muito dinheiro com isso. Já quando pesquisei sobre tatuadores, vi que você poderia fazer uma marca para si mesmo e se tornar realmente bom. Uma vez que já amo arte, beleza e me expressar de uma forma alternativa (estava estudando comunicação), eu disse: “vamos nessa”. Consegui um kit inicial aos 17 anos e comecei a trabalhar no apartamento do meu namorado (na época). Tudo parecia uma loucura no começo porque os equipamentos de tatuagem não eram tão desenvolvidos como agora. Tivemos que fazer nossas próprias agulhas e também não havia muitas informações online. Também ainda era raro ter tatuagens naquela época, especialmente grandes tatuagens de qualidade. Eu olhava revistas de tatuagem no caminho do ônibus para a escola na Suécia para me inspirar. Sendo biracial, sempre me senti diferente, então queria encontrar onde as pessoas apreciam o que é diferente, e nas revistas de tatuagem as pessoas têm coragem de ir ao extremo, mostrar sua personalidade e apreciar o que é diferente.

Da Suécia para Los Angeles, foi uma grande mudança em direção ao seu sonho. O que mais te inspira ao morar LA?

As diferentes culturas aqui em Los Angeles me inspiram, especialmente a cultura negra; é muito icônica e posso experimentá-la enquanto faço parte dela. A beleza da natureza também me inspira.

Tatuar é um trabalho essencialmente masculino. Você quebrou muitas regras ao entrar neste universo. Como você se sente com isso?

Eu conheci grandes homens na indústria que me apoiaram, mas também conheci muitas mulheres talentosas e temos apoio mútuo uns para os outros. Acho que, uma vez que as mulheres eram reprimidas na sociedade, elas também eram reprimidas nesta indústria e não eram capazes de se expressar como tatuadoras. À medida que o tempo passa e a sociedade avança, o sexismo diminui cada vez mais e as mulheres estão sendo incluídas e realmente procuradas por seu trabalho e expressão. A tatuagem não se importa com o que está sob suas calças, apenas com o trabalho que você cria com sua mente e mãos. Acho que é quase uma quantidade igual de homens e mulheres

Conte-nos mais sobre seu estilo de tatuar, sua assinatura.

Meu design exclusivo inclui muito contraste para criar uma imagem simples com algumas cores para dar profundidade. Eu também não estou limitada ao uso de cores em tatuagens ou diferentes tipos/cores de pele. Além disso, eu sempre adiciono imagens extraterrestres, celestiais e mágicas à minha arte porque quero buscar a cura com algum tipo de sensação boa, fora desta energia mundial.

Como você recebeu o apelido de “WitchDoctor” (doutora feiticeira, em tradução livre)?

Quando fui a um salão de narguilé em Hollywood, há muito tempo. Eu tinha acabado de vir para Los Angeles para começar a tatuagem e estava pensando no que gostaria de passar para as pessoas. Minha amiga olhou para mim nesse momento e disse: “Você está parecendo uma feiticeira”, e quando ela disse o universo meio que absorveu essa informação.

Você tatuou celebridades como Jhené Aiko, Keke Palmer, Kehlani e outras. Como artista, você diria que é uma forma de divulgar sua arte pelo mundo?

Eu penso que sim. Minha arte pode ser vista em todo o mundo através deles, mas também de todos os meus clientes e da arte que fiz além da tatuagem.

Você acha que a tatuagem é mais aceita socialmente do que nunca? Ainda existe um estigma associado a ela?

Claro, acho que sempre haverá um estigma, mas é por isso que as tatuagens sempre serão legais e têm essa vantagem.

Você tem algum conselho para meninas e jovens que desejam entrar na indústria de tatuagem?

Sempre se lembre de por que você está fazendo isso e para que está fazendo isso. Isso sempre vai se refletir no seu trabalho.

Você é a primeira diretora de arte global da KVD. Qual é a sua nova função? Quais são seus planos para a marca?

Meu papel é inspirar outras pessoas que normalmente não apreciariam maquiagem e mostrar que você pode se divertir com maquiagem além das regras e usá-la como uma forma de arte e não apenas autocobertura. É mais uma forma de autoexpressão.

Como é sua relação com a maquiagem?

Minha relação com makeup começou quando eu tinha 13 anos. Comecei a fazer meu delineado porque me sentia nua sem ele. Eu sempre fui bem alternativa e até pintava os cílios. Mas depois passei a usar de forma natural e orgânica e ultimamente tenho usado make de forma mais artística.

Quais os três produtos que você não vive sem?

Base, iluminador e delineador.

O que a maquiagem representa para você?

Acho que significa ter controle sobre a minha aparência e um jeito de inspirar e nos elogiarmos uns aos outros.

Alguma dica de maquiagem para os leitores da Bazaar?

Um truque que tenho feito recentemente para fazer uma maçã do rosto saliente: faço um contorno na parte de baixo dela e passo iluminador por cima; e coloco uma pitada de blush líquido KVD no meio e isso faz a maçã do rosto ficar perfeita!