Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Passamos os últimos anos discutindo o futuro da beleza tecnológica – e ele, sem grandes alardes, já começou. Imagine um ativo que elimine os cabelos brancos a partir da raiz? Já existe. Uma rotina de beauté customizada, feita sob medida, com base no seu DNA? Tem também. Um creme vegano tão potente quanto o seu equivalente formulado com silicones e afins? Sim, é uma realidade.

Por trás dessas fórmulas superefetivas, há um time de pesquisadores da indústria cosmética que trabalha, a todo vapor, para produzir tais novidades – em um patamar aceleradíssimo da tecnologia e da ciência. Um dos setores que mais representam essa tendência de “o futuro é agora” é o de Active Beauty, da Givaudan. A gigante francesa da perfumaria é a principal fornecedora de ativos de biotecnologia de toda a indústria de cosméticos e tem um extenso portfólio de ingredientes de skincare. “Nossas pesquisas trazem o melhor da ciência e da natureza para criar moléculas e agentes funcionais de alto desempenho”, diz André Henriques, responsável pelo segmento de Active Beauty da Givaudan na América Latina.

Os pesquisadores da empresa desenvolveram um ácido hialurônico com efeito preenchedor sem agulhas, que penetra duas vezes mais na pele do que o convencional; também criaram um retinol microencapsulado, que atinge camadas mais profundas da derme; e cremes prebióticos inteligentes, que agem de acordo com o microbioma de cada pele.

Entre os produtos futuristas mais celebrados, e que já são realidade, estão os ativos reversores de cabelos brancos. Eles agem diretamente nas células, estimulando os melanócitos a produzirem melanina novamente, como o Greyverse, desenvolvido pela Biotec, outra fornecedora de matérias-primas para cosméticos. É o mesmo processo do RE30, lançado pela Phyto Paris, marca francesa de produtos botânicos para o cabelo.

O Darkenyl, da Givaudan, foi desenhado com o conceito colourback, para combater o envelhecimento dos cabelos desde a origem, promovendo a proliferação de células-tronco capilares, que acabam por gerar novos melanócitos. Com esses ativos, em três meses de uso, pode-se reduzir os brancos em até 40%. Eles são mais indicados para quem começa a apresentar os primeiros fios grisalhos.

Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Os cosméticos high tech não apenas direcionam o que vamos usar, mas também respondem ao que os consumidores buscam. O exemplo mais evidente disso? Depois que a geração dos millennials resolveu dizer não a qualquer produto que não se encaixe no estilo de vida natural e na beleza verde e “limpa”, a indústria dos cosméticos passou a produzir itens que fossem ao encontro dessa tendência (são eles, aliás, os grandes compradores de cosméticos). “Especialmente no mundo da beleza, os consumidores estão cada vez mais de olho nos ingredientes”, ensina a cosmetóloga Sônia Corazza.

Nos Estados Unidos, cerca de 30% das mulheres entre 18 e 44 anos compram cosméticos naturais. Na Inglaterra, o índice sobe para 43%. A grande questão que se colocou aos fabricantes: os consumidores querem um produto mais limpo, livre de químicos, mas não querem menos performance. Antecipando a tendência verde, o setor de Active Beauty começou a montar seu portfólio de ativos naturais há cinco anos. São produtos como My Blue Guard High Defence, um creme anti-idade diário, de origem 95% natural, que combina ativos botânicos e ácido hialurônico. Tem na composição, entre outros, a Selaginella pulvinata, planta ultrarresistente da medicina chinesa, que ajuda a hidratar a pele; e ainda extrato de hibisco, que tem poder antioxidante. Um balanço ideal entre natureza e biotecnologia.

Nessa mesma linha futurista, a L’Oréal está em fase final de desenvolvimento do Perso, um dispositivo que customiza fórmulas de batons, bases e até skincare para serem feitos em casa. Tudo começa com um app, que avalia a qualidade e as necessidades da pele. Depois, atualiza questões ambientais, como temperatura, umidade do dia, exposição à poluição e aos raios UV. O dispositivo prevê as necessidades da pele naquele momento e cria uma fórmula única sob medida, que pode ser mudada constantemente.

Em um dia com muita poluição, pode-se aumentar, por exemplo, a quantidade de antioxidantes. A base pode vir em várias tonalidades para áreas diferentes da face: uma para o queixo, outra para maçãs do rosto. No caso do batom, é possível brincar infinitamente com a cartela de cores. Melhor ainda: estamos chegando à era dos cosméticos desenhados para áreas superespecíficas.

Um exemplo é o Agefinity, ativo para a zona Y da face (não, não é a zona T). É a região afetada pelo uso do smartphone, entre o rosto e o pescoço. Novas rugas vão surgindo em lugares inimagináveis, por causa da tecnologia – caso do text neck, as marcas no pescoço provocadas pelo ato de abaixar a cabeça para digitar. “Conceitos holísticos são interessantes, mas, cada vez mais, buscamos soluções ‘cirúrgicas’ para beneficiar nossa pele”, diz André Henriques. Graças a elas, até para as rugas da modernidade há remédio.