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Dos blocos de rua às fantasias mais elaboradas, o brilho sempre ocupou o lugar central no do Carnaval. Ele traduz excesso, liberdade e celebração coletiva. Mas, à medida que a conversa sobre sustentabilidade avança, até o glitter precisou passar por uma revisão.

O motivo é conhecido: o glitter tradicional é feito de microplásticos, partículas minúsculas que escapam pelos ralos, atravessam sistemas de filtragem e acabam nos oceanos. Lá, entram na cadeia alimentar e permanecem no meio ambiente por séculos. 

Assim, a alternativa mais consciente é optar pelo glitter biodegradável.

 

Por que escolher o glitter biodegradável?

Diferente das versões convencionais, o glitter biodegradável é produzido a partir de matérias-primas naturais ou renováveis, como celulose de eucalipto de reflorestamento, mica mineral, algas, amido ou gelatina. O resultado são partículas que mantêm o efeito luminoso desejado, mas se decompõem em água em dias ou semanas, sem agredir o meio ambiente.

Além do impacto ambiental reduzido, essas fórmulas costumam ser veganas, atóxicas e seguras para a pele, resistindo ao suor da folia e saindo com facilidade na remoção, usando sabonete, óleo vegetal ou demaquilante. 

 

O que ainda é mito sobre o glitter biodegradável?

Apesar de estar cada vez mais presente no Carnaval, o glitter biodegradável ainda carrega uma série de dúvidas e algumas expectativas irreais. Desmistificar o produto é essencial para um consumo mais consciente e menos idealizado.

Nem todo glitter biodegradável é 100% “eco”

O termo “biodegradável” indica que o material se decompõe mais rapidamente na natureza do que o glitter plástico tradicional, mas isso não significa impacto zero. A maioria das versões disponíveis hoje é feita à base de celulose vegetal, um avanço importante, porém ainda dependente de processos industriais, pigmentos e descarte correto.

Ele realmente desaparece da natureza?

Ele se decompõe em condições específicas, ao longo de semanas ou meses, dependendo do ambiente. Diferente do microplástico, que permanece por décadas nos oceanos, ele reduz drasticamente o dano ambiental, mas não elimina a necessidade de cuidado.

Pode ir para a água?

Aqui está um dos pontos mais importantes: mesmo biodegradável, glitter não deveria ser descartado diretamente em rios, mares ou pelo ralo. A recomendação é sempre remover da pele com óleo vegetal ou lenço reutilizável e descartar no lixo comum. 

 

Biodegradável, vegetal, eco-friendly: o que esses termos realmente significam?

Com o boom da beleza consciente, surgiram também muitos rótulos atraentes, mas nem sempre claros. Entender a diferença entre eles ajuda a separar inovação real de discurso vazio.

Glitter de celulose

É o mais comum entre as opções biodegradáveis. Produzido a partir de fibras vegetais regeneradas (geralmente de eucalipto), ele substitui o plástico por um material que se decompõe mais facilmente no meio ambiente. É hoje a alternativa mais segura para o Carnaval.

Glitter mineral ou “mica”

A mica é um mineral natural usado há décadas na indústria cosmética. Apesar de não ser plástico, sua extração pode envolver problemas sociais e ambientais, especialmente quando não há rastreabilidade. Nem toda mica é sustentável, tudo depende da origem e das práticas da cadeia produtiva.

Eco-friendly nem sempre é biodegradável

Esse é o termo mais genérico e o mais perigoso. “Eco-friendly” não é uma certificação, e pode indicar desde uma fórmula menos agressiva até apenas uma embalagem verde. No Carnaval, o greenwashing aparece quando marcas usam o discurso ambiental sem transparência sobre materiais, origem ou descarte.

Mas como identificar greenwashing?

– Falta de informação clara no rótulo

– Uso excessivo de termos vagos

– Ausência de certificações ou explicações técnicas

– Destaque no marketing, mas não na composição

 

Como usar e remover do jeito certo?

Algumas boas práticas garantem impacto visual sem danos:

–  Use primer, gel específico ou cola de cílios para fixação, evitando escorrer.

– Aplique com precisão em áreas estratégicas: têmporas, pálpebras, ombros ou clavículas.

– Evite exageros próximos aos olhos e, na remoção, prefira óleos vegetais ou sabonetes biodegradáveis, sem enxágue excessivo direto na pia.

Beleza consciente na prática e sem perfeição

Falar de sustentabilidade no Carnaval não precisa soar como um manual rígido e nem como uma cobrança. A beleza consciente funciona melhor quando é acessível.

Trocar o glitter plástico por uma versão biodegradável já é um passo enorme. Não é necessário abrir mão do brilho, da fantasia ou da diversão para reduzir o impacto. 

Pequenos gestos que fazem diferença

– Usar menos produto, de forma mais estratégica

– Evitar reaplicar glitter várias vezes ao dia

– Remover corretamente ao final da festa

– Compartilhar informação com amigos e blocos