Por Liz Krieger

Da adolescência à “melhor” idade, não existe mulher que não reclame dos furinhos no derrière e da textura ondulada das coxas. As estatísticas não mentem: cerca de 90% das mulheres sofrem com algum grau de celulite, de acordo com dados da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica Estética.

Tal número fez surgir uma imensa demanda por formas de se livrar desse mal. Em 2011, as vendas de firmadores e outros produtos do gênero (muitos dos quais utilizam o poder temporário exercido pela cafeína na pele) representaram, sozinhas, quase US$ 13 milhões. E a procura por tratamentos não cirúrgicos (como massagens, sucção e ondas de rádio) permanece firme, a despeito da controvérsia levantada por especialistas.

Em meio a tantas opções acaba de surgir o Cellulaze, novo laser aprovado pelo Food and Drug Administration, o famoso FDA, agência de vigilância sanitária dos Estados Unidos. Ao contrário de outros tratamentos que agem na superfície da pele, o Cellulaze penetra profundamente, com o objetivo de alterar a estrutura “problemática” em questão. Descubra como ele funciona.

Celulite para iniciantes

Não importa se você é gorda ou magra, musculosa ou flácida. A celulite não tem preconceitos. E, acredite, fazer incontáveis agachamentos ou perder peso não vai mudar os principais problemas em jogo. Lutar contra a pele perfurada significa enfrentar três respeitáveis adversários: a estrutura do corpo feminino, os hormônios e os efeitos do tempo.

Os indesejados buraquinhos são causados, em parte, pela estrutura da pele feminina. Em primeiro lugar, os septos – faixas verticais de tecido conjuntivo rígido que pressionam a pele – fazem com que as bolsas de gordura existentes saltem.

Imagine a superfície de um colchão: as molas são semelhantes às faixas e sustentam a estrutura para que ela não saia do lugar. Quanto mais velho o “colchão”, pior o aspecto da superfície da pele. Sortudos, os homens não têm celulite – seus septos estão dispostos num padrão diagonal ou cruzado.

O dermatologista Mathew Avram afirma que os hormônios também entram na equação, principalmente por serem o gatilho que dispara o problema. “A celulite costuma ter início na puberdade, quando há um aumento nos níveis de estrogênio”, diz.

“Gostaria que as pessoas vissem a celulite como realmente é: uma característica secundária de gênero. Não há diferença entre ela e outros marcadores de sexo, como seios ou pelos no corpo.” A conexão com o estrogênio ainda não foi inteiramente decifrada, mas uma das teorias sugere que o hormônio endurece os septos, o que acaba por encolher as faixas de tecido – puxando a pele para baixo.

A dermatologista Melanie Grossman lembra ainda que o surgimento da celulite pode flutuar de acordo com o ciclo menstrual.

A solução

Até hoje não se conhece uma solução permanente para o problema – daí a expectativa causada pelo Cellulaze. O tratamento funciona assim: depois de aplicar uma anestesia local na paciente, o médico introduz uma fibra de laser por meio de uma cânula com a espessura de um grafite de lápis, faz um pequeno corte no septo, derrete as bolsas de gordura e aquece a pele de dentro para fora, favorecendo o crescimento de colágeno e elastina. “Conseguimos fazer a fibra de laser girar 90 graus para que fique numa po- sição horizontal em relação à pele.

Ela divide o septo rígido, que puxa a pele para baixo e cria os furinhos. Em seguida, viramos o laser 90 graus para baixo e vaporizamos a gordura. Finalmente, apontamos o laser para a superfície, onde o calor é capaz de engrossar a pele”, explica Barry DiBernardo, cirurgião plástico que comandou as pesquisas com o Cellulaze.

Segundo ele, depois de receber os pequenos cortes, os septos não crescem mais no padrão vertical. E mais: o desenvolvimento de colágeno e elastina, que ocorre com o calor do laser, deixa a pele, em média, 29% mais elástica do que antes.

O pós-operatório é tranquilo. A maioria das pacientes retoma o trabalho no dia seguinte – ainda que seja necessário usar uma bermuda de compressão durante uma semana. As marcas no corpo e a dor levam até duas semanas para desaparecer.

Os resultados finais aparecem entre quatro e seis meses, quando se atinge o pico de colágeno e elastina. DiBernardo diz que a melhor parte é a durabilidade. “Tenho pacientes que se submeteram ao tratamento há três anos e ainda não tiveram nenhuma recorrência de celulite”, afirma. O custo: a partir de US$ 2.500.

Como em qualquer procedimento invasivo, existem riscos de infecção, dormência temporária ou formigamento nas áreas atingidas – além da possibilidade de cicatrizes, mesmo considerando que as incisões têm apenas 1 milímetro.

Nem todas as pessoas, entretanto, são boas candidatas ao procedimento. Mulheres com grandes bolsas de gordura ou pele muito flácida podem até notar uma diminuição da celulite, mas o resultado só será satisfatório se vier aliado à lipoaspiração ou outra técnica de contorno corporal.

Céticos afirmam que o Cellulaze é apenas mais um tratamento com resultados decepcionantes. O dermatologista Bruce Katz e DiBernardo têm uma opinião diferente. “Temos imagens em 3D e ultrassons que quantificam as mudanças. O FDA é severo na análise da eficácia de tratamentos, e os resultados obtidos se sustentam”, diz Katz.

Enquanto o laser não chega no Brasil: o Cellulaze ainda não desembarcou por aqui, mas outros cuidados podem ajudar você a controlar a celulite e ficar em paz com o espelho

Coma bem
Os médicos são categóricos: o fim da celulite requer ações em conjunto. Isso significa olhar com carinho para os alimentos no seu prato. “Evitar álcool e consumir verduras, frutas, nozes e azeite extra- virgem retardam a oxidação celular, o que ajuda a melhorar o aspecto da celulite”, explica a dermatologista Carla Bortoloto, do Instituto de Pesquisa e Tratamento do Cabelo e da Pele (IPTCP), de São Paulo.

Mexa-se
Além de melhorar o tônus muscular e dar mais sustentação à pele, uma atividade física – desde a simples caminhada diária de meia hora até a pesada rotina de academia – destrava o sistema circulatório do corpo, melhorando a drenagem e evitando a retenção de líquidos. Resultado: pele menos inchada e furinhos menos evidentes.

Use os cosméticos
Prontos ou manipulados, os cremes para massagear a região são um coadjuvante importante no tratamento. Os ativos melhoram a circulação local, a textura da pele e minimizam o acúmulo de gordura.

Aperte-se
Você não precisa ter um creme caríssimo em mãos para fazer uma massagem eficiente. “Tem de ter paciência e perder tempo mesmo”, avisa a dermatologista Vanessa Metz, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Ela ensina: “Faça movimentos ascendentes e circulares com pressão moderada para ativar a circulação”. Isso vai eliminar o excesso de líquidos nas áreas em que os furinhos se concentram.

Encare o investimento
Se o seu grau de celulite é alto (leia- se, os furinhos ficam aparentes sem mexer na região afetada), o melhor mesmo é investir em tratamentos mais agressivos. Aparelhos de radiofrequência e ultrassom, aliados à drenagem linfática feita por uma fisioterapeuta, mostram resultados cerca de três meses depois.(Danielle Sanches)