Superfood: os benefícios do couve - Foto: Harper´s Bazaar
Superfood: os benefícios do couve – Foto: Harper´s Bazaar

Por Alexandra Forbes

A pergunta que mais me fazem quando me conhecem pela primeira vez é: “Como você consegue ser magra comendo tanto?” Não existe fórmula mágica. O segredo, respondo, está na couve. Meu trabalho consiste em jantar fora o tempo todo – acabo comendo muito do que não devo, de pão branco a barriga de porco, de molhos pesados a sobremesas ultra-açucaradas. Para compensar, encho a geladeira de casa com folhas escuras – principalmente couve. Uso muito em sucos, sopas frias e quentes, quase sempre crua: mata a fome e só faz bem. Meu segredo não tem nada de secreto. A couve – ou couves, já que há dezenas de variedades – está na moda no mundo fitness e nunca falta no cardápio das boas casas de sucos desintoxicantes. Contém muito ferro, cálcio, vitaminas A, K e C e fibras. Hoje em dia, já existe até suco verde de caixinha em supermercados. O Detox Monstro, da marca Do Bem,mistura couve,maçã,pepino e gengibre,enquanto no Faixa Branca,também com couve,o abacaxi adoça o mix.“Os vários minutos extras de vida são por conta da couve”, diz a embalagem.

Não sei se alonga a vida, mas essa crucífera, parente do brócolis e dos repolhos, por ser rica em enxofre, ajuda o organismo a combater infecções e, dizem, até previne contra o câncer.Tem poucas calorias, mas traz muitos benefícios: por isso, está entre as chamadas superfoods, ao lado da quinoa e do açaí. Em capitais gastronômicas, como Londres e NovaYork, a couve – lisa, crespa, verde, roxa etc. – é moda há anos, mas não apenas entre os adeptos do lifestyle saudável. Em uma salada caesar, que até hoje não me sai da memória, que provei no Isa, no Brooklyn, ela substituía a alface. Mas já me serviram couve de todos os jeitos em restaurantes lá fora, de Paris a Copenhague: rasgada em saladas, pulverizada, sobre pizza, seca e salgada como chips de batata.

Pena que, no Brasil, a couve ainda não saiu do gueto. Restringe-se a casas de sucos e restaurantes naturebas ou – no outro extremo – faz seu papel de sempre como acompanhamento de feijoada, cortada fininha e salteada com alho e óleo. Alex Atala faz um camarão com purê de couve no seu D.O.M. , e Alberto Landgraf a combina com pato maturado no restaurante Epice – mas são exceções.

Com o tempo, aposto que isso vai mudar.Acontece na gastronomia algo similar àquela difusão gradual de tendências que começam na haute couture e terminam nas araras da H&M. Mesmo que leve tempo, a couve – queridinha de tantos chefs bacanas lá fora – deverá, também no Brasil, entrar para o leque de verduras comuns nos menus de restaurantes, sem ficar restrita a sucos verdes e feijoada. Enquanto isso não acontece, contento-me em explorar a versatilidade da minha superfood favorita em casa. Crua,combina à perfeição com nacos de abacate gordo e sementes de girassol tostadas e torna meu gazpacho mais denso e vegetal.As folhas maiores, amolecidas no vapor, prestam-se a rolinhos e envelopinhos mil. Mal sabem aquelas que me olham desconfiadas, quando revelo minha dieta verde, o quão gostosa ela é…

Acesse também: assinebazaar.com.br!