Foto: Divulgação
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Com Luciana Franca

Acaba de sair do forno o resultado da primeira linha da nova empreitada de Francisco Costa: a marca de cosméticos sustentáveis Costa Brazil. Depois de 10 anos à frente da direção criativa da Calvin Klein, ele está se reinventando.

Antes de mergulhar em seu novo negócio, Costa fez uma pausa de seis meses e foi viajar pela primeira vez para a Amazônia. Ele passou 10 dias na região do Acre com a tribo Yaminawá, uma viagem de canoa de seis horas da civilização, onde participou de danças e outras cerimônias, incluindo um ritual de pesca submarina.

Um dos ingredientes que usa na sua linha é o Breu, resina perfumada da árvore Almacega, que a tribo considera sagrada e queima durante várias cerimônias, e que também é um antioxidante poderoso, repele mosquitos e cura até cortes. Vem em duas variantes, que diferem dependendo da hora do dia em que são colhidas: o Breu branco é apanhado de madrugada, é gelatinoso e pálido quando sai da árvore; enquanto o Breu preto, reunido à noite, é muito mais duro e escuro. Segundo Costa, o aroma abre o sexto chakra, o terceiro olho, que é o centro da intuição.

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Os dois óleos leves e sedosos que Costa está lançando – um para o rosto e outro para o corpo – incluem uma mistura de Breu branco e preto; cada variante também é vendida como um material solto para queimar, acompanhada por uma bandeja de cerâmica feita à mão.

A campanha de lançamento é protagonizada por três brasileiros: Caroline Trentini, Andrea Dellal e Cauã Reymond. Os preços dos produtos variam entre US$ 98 e US$ 165 – entre R$ 384 e R$ 646.

“É lifestyle. E tem DNA totalmente brasileiro”, diz o estilista em entrevista à Bazaar.

Há 30 anos morando nos Estados Unidos, Costa diz que precisava se reconectar com o Brasil e está encontrando em suas incursões por pequenas comunidades de produção e de sustentabilidade no Amazonas, Pará e na periferia de São Paulo o significado de sua empreitada: uma nova forma de consumo e o resgate da herança filantrópica deixada pela mãe, que era dona de uma confecção infantil em sua cidade natal e se preocupava em capacitar funcionários e criar creche para que as mulheres pudessem trabalhar.

“Ela era empreendedora, moderna, percebia essas necessidades por instinto, porque estava envolvida. E é essa a minha função, o que eu tenho de resgatar”, conta ele, que está desenvolvendo um projeto de design reciclado com jovens atendidos pelo Projeto Cidade Palmares, em São Paulo.