Foto: Divulgação
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Para os aficionados por perfumes, uma fragrância é muito mais do que apenas um cheirinho bom – ela também representa uma maneira de expandir a personalidade.  Segundo Renata Ashcar, autora do”Guia de Perfumes” e do livro “Brasilessencia: A cultura do perfume”, existem mais de 3 mil  ingredientes que compõem a paleta de um perfumista, mas normalmente ele usa apenas 50 substâncias para a a criação de suas obras olfativas. Entres eles, é comum o uso de flores, frutas e até vômito de baleia. Para entender mais sobre o mundo da perfumaria, Bazaar conversou com a especialista sobre as matérias-primas usadas: Veja a seguir:

Flores
Elas são consideradas a base da perfumaria – tendo rosa e jasmim como as mais clássicas. Espécies raras, como osmanthus, flor nativa da China com delicado odor frutal de damasco, e heliotrópio, que tem cheiro forte e adocicado, lembrando baunilha e amêndoas, são muito apreciadas.”O preço da essência dessas flores é bem caro. Para se ter uma ideia, são necessárias três toneladas de pétalas de rosa para obter 1 quilo de essência, que pode custar cerca de US$ 10 mil”, conta Renata.

Frutas
“As cítricas, como limão, bergamota, laranja e grapefruit (toranja), formam o maior grupo da categoria e são muito utilizadas, desde as primeiras águas de colônia”, revela. Porém, devido ao alto teor de água, a maioria das frutas não podia ser utilizadas até o advento das moléculas sintéticas. “Hoje, praticamente todas as frutas são reproduzidas em laboratório, expandindo, assim, a paleta do perfumista com fragrâncias mais suculentas e exóticas”, compartilha.

Folhas e Caules
Com mais de 300 variedades, as folhas e caules mais usados são de violeta, gerânio, figo, cipreste, tabaco e eucalipto. Muitos itens dessa categoria dão mais persistência às fragrâncias.

Resina, gomas e bálsamos
“Extraídas de certas árvores, essas substâncias se transformam em cristais e vêm sendo utilizadas como incensos desde a antiguidade”, revela Renata. Muitas delas são citadas em passagens bíblicas, como é o caso da gálbano e estoraque.

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Animais
“Sim, muitos perfumes contavam com ingredientes provenientes de bichos”, diz. Elementos como musk, civete, ambergris e castóreo eram populares durante a Renascença e eram criados a partir de animais. “Naquela época, eram necessárias 20 bolsas glandulares de cervos para se obter 450 gramas de almíscar”, revela. Outro produto inusitado é o ambergris, que é a secreção encontrada no intestino da baleia cachalote, conhecido também como vômito de baleia. “Atualmente, com a caça a esses animais proibida por lei para assegurar a sobrevivência das espécies, a indústria usa materiais sintéticos que nada deixam a desejar aos odores naturais”, conta.

Musgos, cascas de árvores e madeira
“Esses produtos são usados desde tempos remotos, quando eram empregados em incensos, unguentos e cerimônias de defumação”, comenta. “Os ingredientes mais conhecidos são extraídos do sândalo, do cedro e do musgo de carvalho. Mas há outros, como a madeira de ágar, também conhecida como oud ou madeira de aloe (lembra o cheiro do sândalo)”, acrescenta.

Matérias primas sintéticas
“No século 20, a indústria química disponibilizou moléculas sintetizadas, ou seja, réplicas das naturais, para a perfumaria. Inúmeras combinações passaram a ser realidade para os perfumistas”, conta Renata.”Um dos primeiros ingredientes sintéticos foi o aldeído, que foi introduzido na década de 20 e potencializa o cheiro dos ingredientes naturais. O sucesso de Chanel Nº 5, criado por Ernest Beaux, se deve à dose excessiva da molécula”, acrescenta.

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