A era notox está chegando! - Foto: reprodução / Harper´s Bazaar
A era notox está chegando! – Foto: reprodução / Harper´s Bazaar

Por Anna Paula Buchalla 

Pense em uma única palavra para definir a grande estrela dos consultórios dermatológicos e a resposta será… botox. A toxina botulínica reinou absoluta na última década, aliada número um na luta para deter a ação do tempo. Ninguém duvida de seu papel implacável (pelo menos até a próxima dose) contra as rugas, mas o love affair parece estar chegando ao fim. Mais do que as expressões congeladas, comuns no comecinho do uso do botox, o que assusta agora são os rostos irreconhecíveis, como os das atrizes René Zellweger, Catherine Zeta-Jones e Uma Thurman (que, de tão mexida, passou a ser chamada por aqui de Outra Thurman). Evidentemente, as mudanças não aconteceram de uma hora para a outra. Elas são resultado do uso excessivo e, sobretudo, prolongado de botox – ele não é o único culpado, os preenchedores também têm sua parcela.

Há um movimento crescente de mulheres que pregam o fim do botox e o início da era notox contra o envelhecimento – ou seja, toxina nenhuma no rosto, apenas cremes anti-idade, um laser aqui e uma radiofrequência ali. O movimento notox teve início na Inglaterra e começa a ganhar adeptas dos principais centros ditadores de tendências. Com medo do que poderia acontecer depois de anos usando botox, as britânicas estão deixando de lado toxinas e preenchedores e optando por tratamentos rejuvenescedores em spas e clínicas, à base de cremes com funções antirrugas e lasers no lugar dos injetáveis. Com isso, os procedimentos menos invasivos e sem efeitos colaterais tiveram um aumento de 200% no ano passado. Conclusão: pela primeira vez desde que foi introduzida no país, há cerca de 12 anos, as vendas da toxina botulínica caíram. O receio das inglesas faz eco em outros cantos do mundo: estaríamos todas (usuárias frequentes de botox e afins) condenadas a ter um novo rosto irreconhecível ao envelhecer?

A resposta a essa pergunta é sempre o bom senso.“Em determinado momento da vida, só mesmo a cirurgia vai reposicionar as estruturas”, explica a cirurgiã plástica Roseli Cardinali.“Substituir o lifting facial pelo tratamento estético exagerado pode trazer um aspecto artificial”, diz. Segundo ela, a maioria dos casos em que a aplicação da toxina botulínica fica evidente está relacionada a certos pontos de aplicação na face, principalmente aqueles que interferem no sorriso ou que elevam demais as sobrancelhas. Mas os especialistas são unânimes ao afirmar que, usado com parcimônia, em intervalos razoáveis de tempo, o botox é uma alternativa eficaz e sem igual contra as rugas.

No Brasil, onde o botox ainda é líder de procedimentos nos consultórios, as mulheres esboçam um movimento de mudança.“Começo a perceber que algumas pacientes querem aumentar o tempo entre as aplicações e pedem doses menores e com resultados mais suaves”, diz o dermatologista Newton Morais, da Clínica Mais.“Mas o fato é que as pessoas têm muito mais receio do efeito dos preenchedores do que da toxina botulínica. Quando colocados em exagero, eles modificam mais as feições e por muito mais tempo.”

Os fabricantes da toxina botulínica, de olho nas mulheres que se incomodam com suas rugas, mas jamais a ponto de perder expressões ou mudar de rosto, começam a testar outras possibilidades. Uma companhia farmacêutica americana é responsável pelo que promete ser a primeira toxina botulínica tipo A em forma de creme: chamada de RT001, ela já está em fase avançada de pesquisas clínicas e aguarda o aval da FDA, a agência que controla a venda de medicamentos nos Estados Unidos, para chegar ao mercado.

Um dos principais empecilhos para se criar produtos antirrugas como o RT001 é o tamanho da molécula: por ser muito grande, ela é de difícil penetração nas camadas mais profundas da pele. Mas os cientistas descobriram um sistema altamente sofisticado para levar a neurotoxina aos receptores que controlam os músculos, limitando a contração deles e reduzindo a aparência das rugas. Um estudo feito pela companhia farmacêutica mostrou que 89% dos pacientes perceberam uma suavização dos pés-de-galinha logo na primeira sessão, e sem efeitos colaterais significativos. O tratamento geralmente dura de três a quatro meses. É semelhante ao injetável, mas com resultados bem mais suaves. Para as animadinhas de plantão, não adianta ir com muita sede ao pote: o RT001 só vai estar disponível nos consultórios dermatológicos e ainda sem data definida.