Detox de metais pesados é a tendência de beleza da vez

Eles estão em toda a parte e são uma ameaça constante à saúde. A boa notícia é que, de sauna a eletrodos, há novas formas de eliminá-los do corpo

by Anna Paula Buchalla
Foto: Arquivo Harper's Bazaar

Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Eles estão em nossa casa, no prato, nos cosméticos que usamos, na água que bebemos. Somos bombardeados diariamente por metais pesados: chumbo, mercúrio, tálio, césio, cádmio e alumínio, para citar alguns, são encontrados nas panelas, na maquiagem, nos esmaltes, nos desodorantes, nos produtos de limpeza, nas latas de refrigerantes, nos amálgamas das obturações dentárias, nas tinturas de cabelo, nos cigarros e nos peixes contaminados.

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“Somos expostos constantemente também a xenoestrógenos e xenobióticos, substâncias que estão nos plásticos que envolvem os alimentos, hormônios nas carnes, conservantes e corantes”, diz a médica nutróloga Mariana Brito, da clínica Jobst, de São Paulo. Nem todos os metais são vilões: eles existem aos montes na natureza e alguns são essenciais, caso de zinco e ferro.

O perigo está nos altos níveis de mercúrio e chumbo, por exemplo, que podem causar sintomas que vão de dor de cabeça a confusão mental, fadiga constante, disfunção da tireoide, aborto, infertilidade, ovários policísticos, endometriose e até câncer. “Os xenoestrógenos liberados em garrafas de água mineral que passaram por altas temperaturas, como as que ficam expostas ao sol, têm sua relação com câncer de mama cientificamente comprovada”, diz Mariana Brito.

Para chegar a esses efeitos, é preciso que os metais atinjam níveis tóxicos. Evidentemente, isso não acontece do dia para a noite – o envenenamento, aliás, é raro. O problema é a ingestão rotineira e repetida deles. “O homem de hoje se expõe 800 vezes mais a essas substâncias do que o do início do século 20″, diz a médica nutróloga Vânia Assaly, com formação em endocrinologia e metabologia, do Instituto Assaly Medicina Personalizada, de São Paulo. “Dependendo da quantidade, do tempo de exposição, da idade em que somos expostos a esses metais, e também da nossa capacidade de eliminá-los, os riscos podem ser maiores.”

Se, de um lado, é muito difícil evitar os metais pesados, de outro, há como eliminá-los. Uma medida simples e eficaz é alimentar-se bem. “A boa qualidade da microbiota intestinal, com a ingestão de frutas, vegetais e fibras, melhora os mecanismos de eliminação dessas toxinas”, ensina Liane Beringhs, nutróloga do Instituto Assaly.

Segundo a médica, que também tem formação em homeopatia, a boa nutrição garante que o fígado, que faz naturalmente a “limpeza” do organismo, trabalhe melhor, reduzindo a sobrecarga tóxica de alimentos e poluentes que fazem parte do dia a dia.

A plant based diet parece ser um bom caminho contra os metais pesados, com vegetais orgânicos ricos em cisteína, como brócolis, couve e couve-flor, e temperos como coentro, cebola roxa e alho. Vitaminas do complexo B e chás verde, dente-de-leão, boldo e hortelã também ajudam nessa missão. Sem falar no poder da castanha do Pará, da Chlorella e das frutas, ricas em vitamina C, especialmente limão e laranja.

Dois litros de água por dia (não vale sucos nem refrigerantes!) também ajudam a excretá-los. Algumas clínicas passaram a oferecer, recentemente, tratamentos para o detox de metais pesados. Após o diagnóstico correto (um exame simples de sangue revela a existência dos metais), indicam-se alguns métodos. A médica Liane Beringhs desenvolveu, em seu mestrado, uma metodologia baseada na homeopatia para quelação dos metais. “Isso evita medidas como soroterapia e medicações mais complexas”, afirma. “Já temos no mercado alguns aparelhos que estão em fase de pesquisa e desenvolvimento aplicados na prática ortomolecular”, explica a nutróloga Mariana Brito.

Na clínica Jobst, a desintoxicação é baseada nos princípios da biorressonância: eletrodos são posicionados nas mãos e nos pés, em pontos da acupuntura, e emitem ondas eletromagnéticas invertidas, que expelem os metais pesados. Há ainda o detox iônico, que consiste em colocar os pés em uma bacia com água, sal marinho e eletrodos (não há prova científica de que funcione, mas é fato que a água muda de cor ao final do tratamento!).

E, a mais recente das novidades, a sauna de infravermelho, que já ganhou estúdios especiais com foco nesse tipo de detox, em Londres e Nova York. Atribui-se a elas o poder de aumentar em até sete vezes a quantidade de toxinas e metais pesados eliminados em relação à sauna tradicional.

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