Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Por Rosana Rodini

Reunião de pauta. Surge o assunto: uma nova dieta milagrosa te fará viver mais e salvará seu corpo, e o meu, dos excessos das férias. Regime cientificamente comprovado (que tem nos grãos a sua base), desses que pode quase tudo, em porções consideráveis, me conta a editora de Beleza. Escuto, apreensiva. Tornei-me cética quando o tópico é dieta: elas aparecem aos montes, vêm e vão como o vento. O chocolate é o novo ovo, que de vilão passou a mocinho, pelo menos até o fechamento desta edição. Paleolítica, South Beach, you name it. E eu aqui, cobaia eterna, num sobe e desce de ponteiros. Na dança da balança quem dança é você – e isso não muda nunca. Ainda assim, ofereço-me. Vai que a Dash (Dietary Approaches to Stop Hypertension) funciona.

Apontada como a número um nos Estados Unidos, a Dash garante, antes de tudo, vida longa. É o que afirmam duas pesquisas, as mais extensas da história a associar alimentos integrais e expectativa de vida. A resposta está “no potencial das fibras de diminuir riscos de doenças crônicas e até certos tipos de câncer”, escreveu Yang Yang, um dos autores da pesquisa do Shanghai Cancer Institute, publicada no American Journal of Epidemiology, que acompanhou hábitos de mais de um milhão de pessoas. O segundo trabalho analisou 74 mil mulheres e 44 mil homens durante mais de duas décadas. O resultado? As pessoas que trocaram alimentos refinados por integrais tiveram uma redução de 8% de mortalidade. Os que substituíram também a carne pelos integrais reduziram as taxas em 20%, publicou a versão online do Journal of American Medicine.

Mais do que uma dieta, Dash é um padrão alimentar que incentiva o consumo de vegetais, frutas e laticínios magros, oferece fibras, vitaminas e minerais. Ah, ela também controla o colesterol. Sua vantagem? Não exclui nenhum grupo alimentar – rola até um macarrãozinho, veja só. A adesão a esse estilo alimentar reduz o desenvolvimento de hipertensão. A perda de peso é consequência. “A Dash é rica em fibras e nos minerais potássio, cálcio e magnésio – esses micronutrientes trazem benefícios sobre a pressão arterial. Ela ainda favorece o emagrecimento, considerando que a presença de alimentos saudáveis substitui a de refinados, ricos em gorduras e açúcares”, esclarece a nutricionista Andrea Santa Rosa, sobre a dieta eleita da vez.

A promessa de ganhar anos de vida somada à jura de um corpo mais saudável é atraente. Decido testar por uma semana. Apesar da garantia dos nutricionistas de que a balança é um dos métodos mais retrógrados para quem quer controlar o peso, e que vale mais o bom e velho teste da calça justa do que gramas a menos, não resisto: na segunda-feira, fatídico dia mundial do regime, subo nela: 53 quilos. Já no supermercado, transbordo meu carrinho com grãos – e dá-lhe ervilha e afins para a semana a seguir. Orientações? Escolher alimentos como carne magra, aves, peixes, frutas e hortaliças; incluir porções de laticínios desnatados; preferir alimentos integrais; comer oleaginosas, sementes e grãos; reduzir gorduras; utilizar óleos vegetais insaturados; evitar sal e produtos industrializados; e evitar o consumo de doces. Ninguém inventou a roda, deduzo, já que o cardápio se assemelha ao de quem está acostumado a uma alimentação saudável.

Dia 1, acordo e deparo com meu inimigo: pão francês (não como há anos) com margarina (nunca gostei) mais café com leite desnatado e mamão. No lanche da manhã, uma maçã. Almoço? Salada crua e legumes cozidos à vontade, quatro colheres de arroz integral, uma concha de feijão e um bife grelhado. Para a sobremesa, abacaxi. À tarde, quatro biscoitos integrais cream cracker e uma banana. No jantar, de novo salada crua e legumes cozidos à vontade, mais talharim com tomate e espinafre e um cacho de uva. Para cear, um potinho de iogurte natural. O cardápio dos dias seguintes é semelhante – sai a margarina, entra o queijo branco; descansa o bife, vem o frango; a maçã dá lugar ao suco de laranja; e o macarrão é substituído pela batata assada. A base da dieta, entretanto, continua: grãos em todas as suas formas. Pense em arroz integral, feijão, ervilha, lentilha, cereais, aveia em flocos… tudo em ótimas porções.

No meu último dia de Dash, subo na balança outra vez. Meu peso é o mesmo, embora eu tenha comido mais do que como normalmente. E mais: sou ré confessa, confesso. Álcool é contraindicado pela Dash. Não resisti. E me esbaldei em copos de saquê e cerveja gelada – bebidas à base de grãos, para justificar. Se você busca perda de peso rápido, a Dash não é a dieta. Sua base é a reeducação alimentar. E sua meta é a longo prazo, longuíssimo, visto que, se você segui-la, garantem os estudos, terá anos extras para se preocupar com seu corpo. E sem passar fome, até porque, de grão em grão, a galinha enche o papo.