Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Você é o que você come? Bem, para uma nova corrente de especialistas em dieta, você é… o que suas bactérias comem. E mais: ao alimentá-las do jeito certo, elas se transformam em suas principais aliadas na árdua tarefa de emagrecer.

Há um universo de trilhões delas vivendo em nossa flora intestinal. Especialmente as que habitam o estômago teriam o poder de controlar o metabolismo, diminuir o apetite e reduzir a absorção de calorias. Um dos precursores da dieta das bactérias, o médico nova-iorquino Raphael Kellman, garante que seus pacientes chegaram a perder até 10 quilos em quatro meses seguindo à risca um plano alimentar que beneficia as bactérias do bem e elimina os micro-organismos do mal.

Médicos passaram a associar bactérias à perda de peso desde que os estudos sobre o microbioma humano começaram a ser desvendados, há menos de uma década. Um dos primeiros trabalhos foi publicado recentemente na revista científica Nature por cientistas da Universidade Duke, nos Estados Unidos, que revelou que as bactérias podem mudar radicalmente seu comportamento, para o bem e para o mal, com alterações no prato – e isso em três ou quatro dias. “Descobrimos que as bactérias respondem surpreendentemente bem a mudanças na dieta”, disse o pesquisador Lawrence David, um dos autores do estudo.

As pesquisas agora se voltam para formas de manipulá-las para que elas trabalhem ainda mais a nosso favor. “Um estudo apresentado no último Congresso Europeu de Obesidade mostrou que certas bactérias podem levar à perda de peso e de gordura, à diminuição de fatores de inflamação que favorecem a obesidade e ao aumento de hormônios que controlam a fome”, diz a endocrinologista Maria Fernanda Barca, da Universidade de São Paulo.

Mas o que fazer para ter somente bactérias “magras” circulando pelo organismo? A fórmula é simples: basicamente, o que se defende é o consumo de prebióticos, fibras que atuam como estímulo para as bactérias amigas. Entre as principais fontes de prebióticos estão tomates, aspargos, cenoura, chicória, alho, banana, cebola, beterraba, alcachofra, aveia, cevada, trigo, mel e leites fermentados.

Abuse dos iogurtes de queijo de cabra com canela sobre salada de frutas, dos mix de vegetais, salada de lentilhas e picles fermentados. São ricos em substâncias como inulina e fruto-oligossacarídeos, que ajudam na digestão e na sensação de saciedade. “Esses alimentos ainda fortalecem o sistema imunológico e controlam o colesterol”, afirma a nutricionista Patrícia Pinesi. Com relação às bactérias do mal, você pode adivinhar facilmente onde elas vivem… nos açúcares, nas farinhas brancas e nas gorduras. Fuja delas!

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