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O criador dessa nova dieta é Mark Lauren, treinador físico do exército americano

Esqueça as fashionable diets por um momento e guarde esse nome: Mark Lauren, treinador físico do exército americano, ex-US Special Forces. Segundo ele, o grande problema das dietas da moda é que elas emagrecem, você atinge um plateau em que não perde mais peso, desanima e volta a engordar.O que ele propõe? A volta dos carboidratos à mesa. Em seu novo livro, Body Fuel (US$ 12, na Amazon), ele introduz um novo conceito para perda de peso que, segundo o próprio, é muito mais duradoura e persistente. A ideia é variar a ingestão de calorias semana a semana. E comer muito mais do que se está acostumada nas dietas convencionais (quase sempre um repeteco à base de franguinho grelhado com salada) para manter o metabolismo ativado e trabalhando a seu favor. Ou seja, prepare-se para trazer de volta ao seu prato os carboidratos: arroz, cereais, macarrão e até pães. Parece loucura? Não quando a promessa é eliminar de 3 a 5 quilos em seis semanas.

Mark Lauren está acostumado a extremos. Passou dois anos no Iraque e no Afeganistão e costumava preparar soldados para combates. Seu método, o mesmo descrito agora no livro, foca na performance: um corpo mais enxuto, mas ainda assim mais resistente e com mais energia. E com menos gordura, claro. No caso dos soldados, o programa alimentar vinha combinado a um treino diário puxadíssimo com pesos. Mas para nós, que só queremos ver os ponteiros da balança se moverem à esquerda, vale fazer 10 minutos de exercícios com pesos por dia, ele assegura.

No programa do treinador americano, a atividade física é essencial, e por isso o corpo precisa ser abastecido corretamente com energia. E, aqui, leiam-se carboidratos. Em vez de separá-los em bons e maus (pão integral X pão francês), Mark os dividiu em dois grupos, os de lenta absorção e os de rápida absorção (em inglês, slow fuel e fast fuel). A separação está associada ao índice glicêmico desses alimentos. É ele que determina o quão rápido ou devagar o carboidrato estará circulando na corrente sanguínea. Quanto menor o índice glicêmico, mais lenta a absorção do açúcar e tanto melhor para a perda de peso. É o caso de verduras e vegetais como brócolis, pepino, berinjela, espinafre e grãos como a lentilha – liberadíssimos neste programa. Os carboidratos do mal, os de alto índice glicêmico, depositam altas quantidades de açúcar rapidamente no sangue, e esse excesso é transformado em gordura. Incluem-se nesse grupo as batatas, o arroz branco, pães feitos com farinha refinada e sucos de frutas. Esses, segundo a dieta, têm hora certa para ser consumidos: pela manhã, logo depois de acordar ou de meia hora a 45 minutos depois do exercício para repor o glicogênio perdido. Segundo Mark, se você não dá esse combustível ao corpo, ele usa o músculo como fonte de energia, e esse seria o grande problema das dietas à base de proteínas: perde-se peso, mas também massa magra.

A arma secreta do Body Fuel estaria basicamente em alternar a quantidade de calorias e o tipo de carboidratos consumidos todos os dias, durante seis semanas. “’È assim que você ensina o seu metabolismo a trabalhar ao máximo, ajudando a evitar o plateau da perda de peso”, explica Mark Lauren. Ao não restringir carboidratos e calorias, o corpo mantém-se queiman- do gordura, o que deixa o metabolismo superativado constantemente. “Faz todo o sentido: o carboidrato é a principal fonte de energia do corpo. Consumido com equilíbrio, ajuda, sim, a perder peso”, diz a endocrinologista Kátia Blumberg, da Clínica Haute. Ela é adepta de incorporar carboidratos nas dietas que prescreve a seus pacientes, justamente com esse fim.

A estratégia já vem sendo usada em treinos de atletas para perder peso sem gasto muscular. Um estudo publicado na revista científica Journal of the International Society of Sports Nutrition revelou que mulheres que participaram do programa eliminaram em média 3 quilos, sem alterar um milímetro de seus músculos. Durante três semanas elas consumiam 2.200 calorias por dia, e nas outras três, de 1.200 a 1.500. No caso delas, a quantidade era mais alta porque o gasto energético dos exercícios pesados é também altiíssimo.

No plano do Body Fuel estão incluídas três refeições e dois lanches. Nas três primeiras semanas é só alegria: podem-se consumir diariamente quatro (!) carboidratos de absorção rápida, entre pão, batata, massa, arroz e frutas. No segundo bloco, de duas semanas, comem-se dois carbos fast fuel por dia e na semana final, limita-se o carboidrato de absorção rápida a apenas um dia. Cada refeição tem que ter ao menos uma proteína, entre carne, peixes, aves e ovos. Agora, o que está fora, fora mesmo, do menu de Mark: leites e derivados que, segundo ele, engordam. Alimentos processados, adoçantes e açúcares idem. Um drink ou uma cervejinha? Até pode, no lugar de um dos carbos fast fuel. Mas tudo dentro dos limites. Afinal, tirando a água, o ar e a alface, todo o resto tem calorias.