Foto: Alex Falcão

Por Carolina Andraus

Quantas vezes você percebeu que, apesar do esforço enorme para fazer tudo certo, na verdade estava, sem querer, levando a vida em autossabotagem? Ninguém escapa de exageros e erros inconscientes, mesmo quando a intenção é a de nos cuidarmos o melhor possível. Alguns estudos recentes comprovam que há falsos conceitos, bastante comuns, quando o assunto é estender ao máximo a juventude – e aqui, leia-se, manter o glow da pele, o corpo em ótima forma, uma aparência saudável e jovem por mais tempo, e com muito bem estar.

Se você se mata em treinos extenuantes, num esforço de sempre ultrapassar os limites do seu corpo, cuidado! Tanto quanto o sedentarismo, o esporte em excesso também é um fator importante no envelhecimento celular. Incluem-se nesse grupo praticantes de triatlos, ciclistas que pedalam centenas de quilômetros em muitas horas, corredores de longas distâncias (lembra daquela velha dúvida sobre se correr envelhece? Pois é…) e também aqueles que fazem do esporte o ponto central do seu estilo de vida.

“Apesar da melhora de marcadores de envelhecimento precoce com a atividade física, o excesso pode acelerar o processo, tanto ou mais que o sedentarismo”, diz a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), que comandou um estudo recente sobre o assunto.

O principal benefício do esporte se dá quando, durante a atividade física, o sangue que “alimenta” os músculos em movimento, aumenta seu fluxo, e consequentemente, o aporte de nutrientes e oxigênio para todos os tecidos, inclusive a pele. “Isso acaba fazendo com que a tez fique mais hidratada, corada e mais viçosa”, explica a cirurgiã vascular doutora Aline Lamaita, membro do American College of Lifestyle Medicine.

Principalmente os exercícios aeróbicos, como correr, nadar e pedalar, usam oxigênio para gerar a energia que os músculos necessitam. Quando há atividade em excesso, os músculos pedem mais fluxo de sangue e, durante esse processo, o organismo libera radicais livres, uma espécie de resíduo da queima de oxigênio que agride o DNA e acelera o envelhecimento. O número de radicais livres é muito maior do que o corpo é capaz de administrar, e eles acabam danificando as células. Ou seja, para nos mantermos saudáveis e com a beleza em dia, mais vale ter uma rotina de exercícios moderada e constante, do que a ambição de uma barriga de tanquinho às custas de horas intermináveis em uma esteira, estressando as células, além de joelhos e articulações.

Foto: Alex Falcão

A nova febre de jejuns intermitentes, que vem se tornando cada vez mais comum entre os antenados em bem-estar, e que promete ser uma excelente estratégia para reduzir a velocidade do envelhecimento precoce, também deve ser feita com bastante atenção e idealmente com orientação médica. Por quê? Feita de forma errada, essa dieta também envelhece.

Para aqueles que usam a estratégia de fazer jejuns e dietas de restrição calórica e, nos finais de semana, se jogam em uma overdose de carboidratos e açúcar refinado, saiba que nesses momentos de “tudo pode” o corpo rapidamente entra em glicação. Esse processo causa o endurecimento das fibras de colágeno e elastina quando reagem com picos de açúcares, como explica a doutora Marcella.

Ou seja, de nada adianta passar a semana tentando corrigir o pico inflamatório que você mesmo vai produzir em demasia para o seu corpo. Um estudo recente publicado no “American Journal of Public Health” mostrou que os telômeros, estruturas que ficam nas pontas dos cromossomos e que já foram previamente associadas à longevidade, se desgastam e encurtam nesses picos inflamatórios, quando ingerimos uma dose extremamente alta de açúcar de uma só vez. Só para lembrar: esse vilão é oito vezes mais viciante que cocaína.

Por fim, não é novidade para ninguém que dormir mal envelhece. Mas o que os novos estudos vêm mostrando é que, mesmo para quem dorme as tão sonhadas oito a nove horas por noite, há um porém: ficar assistindo uma série na cama, ou vidrado no Instagram antes de dormir, pode afetar a qualidade do sono, que deixa de ser restaurador.

O que você entende como relaxar, seu cérebro interpreta como efeito inverso. A avalanche de luz azul que recebemos das telas de telefones, computadores e tablets afeta todo o metabolismo do ciclo circadiano, o que compromete o tempo necessário para o reparo e regeneração celular durante a noite. “A luz azul afeta a produção de melatonina que também é parte da defesa antioxidante primária do nosso organismo”, explica a dermatologista Letícia Bortolini.

Lembre-se, moderação (na academia, no prato e na cama) é a palavra-chave para quem não quer envelhecer antes do tempo. E jamais esqueça o que diziam, sabiamente, nossas avós: a diferença entre o remédio e o veneno está na dose.