Fim da estética Kardashian: beleza está cada dia mais natural

Em vez de comparar belezas, as técnicas destacam o melhor de cada um

by Anna Paula Buchalla
Kim Kardashian - Foto: Arquivo Harper's Bazaar

Kim Kardashian – Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Foi só uma brincadeira, mas que revelou uma verdade sobre os procedimentos estéticos no ano que passou. O artista visual londrino Mat Maitland selecionou ícones vintage e deu a eles o “tratamento de 2018″. Isso significa preenchimentos, botox e rinoplastia feitos por meio de Photoshop nos rostos de ninguém menos que Marilyn Monroe, Liz Taylor e Audrey Hepburn. O resultado? Todas ficaram muito semelhantes ao clã Kardashian.

Nem certo, nem errado, nem feio ou bonito. A ideia de Mat não é criticar, mas retratar o modelo de beleza que se consagrou em 2018. Padrões de beleza são o retrato de uma era, embora exista a beleza clássica, aquela dos preceitos científicos: baseada no estudo das proporções, a beleza não é mera questão de gosto, mas a reunião feliz de simetria, unidade e brilho.

Passaram-se 3.500 anos e a imagem de Nefertiti, com seus traços retos e afilados, permanece bela até hoje. Mas as tendências existem e vão se alternando ao longo da história. Atualmente, os preenchedores reinam absolutos: estão nos lábios de Kylie Jenner, que estreou no mundo dos procedimentos estéticos aos 16 anos e levou consigo uma legião de seguidoras com bocas igualmente infladas; estão nas maçãs altas e proeminentes nos rostos que se veem nas contas mais bombadas do Instagram.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Kendall Jenner - Foto: Arquivo Harper's Bazaar

Kendall Jenner – Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Segundo a Sociedade Americana de Cirurgia Plástica, o uso de preenchedores passou de 1,8 milhão, em 2010, para 2,6 milhões, em 2016. Não há números oficiais aqui, mas o que se vê nos consultórios é um aumento da procura por esses recursos. E isso não é exatamente ruim. A busca pelo rosto e pelo corpo perfeitos proporcionou aos especialistas antecipar os conhecimentos da ciência da beleza e aplicá-los com uma precisão sem precedentes na história.

Conhecer detalhadamente as feições de um rosto tem papel fundamental nas técnicas de rejuvenescimento, como preenchimentos e botox. As imagens em 3D ajudam não apenas o médico a ter uma ideia do resultado final como também permitem que ele trabalhe de forma mais detalhada, como se talhasse uma escultura.

A boa técnica, em vez de comparar belezas, as aproxima do melhor de cada um. E é justamente por isso que o ano de 2019 ficará marcado pelo fim dos clones da estética. “Olhar para as celebridades do passado e ver que todas ficariam muito parecidas entre si faz soar o alarme: o novo ideal de beleza prega que não sejamos clones de ninguém, mas a melhor versão de nós mesmos”, diz Cinthia Sarkis, médica diretora da clínica de alergia e dermatologia que leva seu nome, e com pós-graduação em Dermatologia Clínica e Estética pela Universidade Complutense, de Madri.

Além de ser referência em procedimentos minimamente invasivos, ela também se especializou em tratar casos malsucedidos, como reações adversas ou preenchimentos exagerados. É comum encontrar no seu consultório pacientes arrependidas, em busca de menos intervenções, a exemplo do que até mesmo as Kardashians vêm fazendo.

Kylie Jenner - Foto: Arquivo Harper's Bazaar

Kylie Jenner – Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

A estética do clã, aliás, está a cada dia menos popular. A própria Kylie já murchou seus lábios e alguns fãs notaram que Kim tem diminuído o volume de seu derrière nas postagens. Alguns procedimentos não são de fácil reversão, caso dos implantes mamários e de glúteos. Um nariz muito afilado dificilmente pode ser corrigido. Mas a maioria dos preenchimentos hoje é reabsorvível.

“Curioso o fato de que os resultados indesejados com preenchimento, em geral, acontecem com injeções de pouca quantidade de ácido hialurônico, porém superficiais ou em regiões mal escolhidas, criando uma desarmonia facial. Essas mesmas pacientes se espantam como ao reestruturar a face em sua profundidade muitas vezes precisamos mais quantidade de material, mas com resultado sofisticado e natural. Esse é um trabalho para médicos experientes, com boa formação em anatomia e que possam corrigir as raras complicações das técnicas bem executadas.”

A julgar pelo que se vê agora, a próxima década será marcada pela volta dos looks mais naturais – o que não deixa de ser uma tendência de beleza. Até que venha a próxima.

Leia mais:
Quatro dicas infalíveis para cuidar da pele e cabelo no verão
O fim do lifiting facial? Técnica está mais em alta do que nunca
Aprenda a usar extrato de flores na rotina de beleza