Foto: Alex Falcão
Foto: Alex Falcão

Poucas experiências pessoais são tão dolorosas e assustadoras quanto a queda de cabelo: ver os fios se esvaindo pelas cerdas da escova ou no ralo do chuveiro é de uma tristeza só – e, claro, motivo de preocupação. Milhões de homens e mulheres vivenciam isso todos os anos – e o lado bom dessa história, afastado o caso de uma doença grave, evidentemente, é que a queixa universal acabou impulsionando a tecnologia em busca de melhores opções, já que a cura para a calvície ainda não existe.

De métodos pouco ou nada invasivos a cirurgias e implantes 3D (ainda em fase de estudos), há uma verdadeira revolução nas soluções antiqueda. A mais recente delas é o implante capilar protético, tecnologia israelense que chegou há pouco ao Brasil.

Não, não se trata de um novo nome para a peruca, embora até elas hoje estejam em um nível altíssimo de qualidade, projetadas e feitas sob medida para cada paciente, com resultados cada vez mais naturais. Batizada de “Hairstetics”, a nova tecnologia funciona da seguinte forma: fios de náilon cirúrgico são implantados no couro cabeludo, a partir de um sistema de ancoragem, com o mesmo material usado em stents cardíacos.

Isso significa que, por ser biocompatível, o risco de rejeição é baixíssimo. Os fios são aplicados por meio de uma espécie de “pistola” carregada com cartuchos com cerca de 20 fios da cor próxima à da paciente. O médico faz o disparo e implanta o cabelo de forma rápida, apenas com anestesia local.

O método funciona principalmente para as mulheres com alopecia androgenética, que sofrem com a queda difusa e não conseguem ter um volume satisfatório de cabelos. “Somente 10% a 15% das mulheres são candidatas ao transplante capilar convencional, pois, na maioria das vezes, não possuem área doadora de cabelos pelo caráter difuso da alopecia”, diz a cirurgiã plástica Juliana Sales, do Rio de Janeiro, precursora da técnica no Brasil. “O implante capilar protético é uma solução para restaurar o cabelo perdido e, com isso, resgatar a autoestima dessas mulheres.”

Há várias vantagens no processo. Além de ser rápido (o paciente volta às atividades normais logo após o procedimento), ele dura em média quatro anos e não requer muitos cuidados extras, além do normal para qualquer pessoa, como evitar o excesso de calor do secador e das chapinhas.

Há ainda a opção de fios lisos ou crespos e uma cartela de cores bem variadas. Mas o que os especialistas têm notado, ao longo do uso da tecnologia, é que, ao ter o cabelo mais farto (e a tranquilidade e a autoestima) de volta, fica mais fácil aderir aos tratamentos complementares.

“É extremamente importante deixar claro que a calvície não tem cura, mas é tratável. E quanto antes se iniciar o tratamento, melhores as chances de sucesso”, diz a tricologista Seide Abdala, da Healthy Hair Clinic, uma das clínicas mais avançadas em tratamento antiqueda de cabelos do País. “O tratamento pode incluir suplementos vitamínicos, medicação oral, tópica e procedimentos como LED, lasers de baixa intensidade e mesoterapia”, explica.

Há, no entanto, algumas desvantagens do implante protético em relação ao cirúrgico. Como o produto é sintético, ou seja, não é o próprio cabelo do paciente, pode ocorrer rejeição do organismo – e é justamente por isso que é feito um teste antes com o implante de poucos fios. Ele também só funciona bem se misturado aos fios existentes, apesar de os sintéticos serem bastante próximos dos naturais. São mais recomendados para a perda no meio do couro cabeludo ou na linha da testa.

“Por ser um cabelo protético, ele não cresce e por isso deve-se ter cuidado ao mudar o comprimento após o procedimento. Da mesma forma, mudanças de cor não são possíveis, ou seja, a paciente pode manter a tintura nos cabelos, porém não modificar a cor do cabelo implantado”, diz a médica Juliana Sales.

O procedimento custa a partir de R$ 10 mil. Mas, levando-se em conta que pessoas cada vez mais jovens têm procurado ajuda para as queixas de queda de cabelos, com motivos que vão do stress às dietas malfeitas, passando por questões hormonais, é um alento saber que o arsenal antiqueda cresce – e melhora – a cada dia.

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