Foto: reprodução
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Por Anna Paula Buchalla

Quando o assunto é envelhecimento precoce, uma dúvida, uma certeza e uma constatação pairam no ar. Afinal, a luz que emana da tela do computador e a luz fria dos escritórios danificam a pele? Depois de muito vaivém de estudos, há uma corrente cada vez mais forte de pesquisadores e dermatologistas que defende que, sim, a luz dos ambientes fechados é altamente danosa ao DNA das células. E, por fim, a constatação: os protetores atuais, em sua grande maioria, não protegem contra a luz visível. A boa notícia é que começa a surgir uma nova geração de filtros com espectro de proteção maior, além dos raios UVA, UVB e infravermelho. Os riscos e a proteção contra a luz dos ambientes internos foi um dos temas mais quentes do último congresso da Academia Americana de Dermatologia. O que se sabe até agora é que ela causa envelhecimento provavelmente similar ao provocado pelos raios solares UV.“Os efeitos da luz visível na pele receberam pouquíssima atenção nos últimos anos, se comparados à radiação UV, fortemente associada ao câncer de pele”, diz a dermatologista Maria Bussade, de São Paulo. Mas já se sabe que algumas pessoas são mais suscetíveis a desenvolver manchas escuras em contato direto com esse tipo de luz.“Existe uma relação da luz visível com o melasma e estudos a associam à produção de radicais livres, que causam o envelhecimento das células”, afirma. As pesquisas também mostraram que a radiação infravermelha é a que mais danifica os tecidos, provocando o envelhecimento precoce. Ela penetra profundamente na epiderme, gerando o dano oxidativo, que leva a perda de colágeno e elastina, proteínas que dão sustentação à derme. Somada à luz visível, os efeitos são ainda piores: grandes quantidades desse tipo de luz na pele causam eritemas (vermelhões) e hiperpigmentação. São alterações similares à exposição crônica aos raios UV. O dano pode ser severo. Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros mostrou que a luz visível pode até causar câncer de pele. O bioquímico Maurício Baptista, da Universidade de São Paulo (USP), publicou recentemente um estudo na revista científica americana PLOS One, em que mostra que a luz visível pode alterar o DNA das células, indiretamente, ao interagir com a melanina. Um ingrediente, em particular, está se revelando a chave contra os efeitos deletérios da luz do escritório ou do home office: o óxido de ferro. O mineral, ao lado do óxido de zinco e do dióxido de titânio, já é encontrado em protetores com cor, sejam eles na versão creme ou pó, indicados contra manchas e melasmas. Nos Estados Unidos e na Europa, a oferta de produtos com óxido de ferro na fórmula começa a crescer. Todos são capazes de promover barreiras físicas que bloqueiam o infravermelho e a luz visível.A dica é procurar os protetores de grande alcance, o que significa que eles não protegem apenas contra a exposição solar. Ou, o mais difícil: reduzir as horas passadas a curtíssima distância da tela do computador.