Foto: Arquivo Harper's Bazaar
Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Aguardada ansiosamente por endocrinologistas e pacientes acima do peso, a semaglutida acaba de ser aprovada no Brasil. O remédio, cujo nome comercial é Ozempic, é originalmente indicado para o tratamento do diabetes, mas oferece resultados excelentes também para combater a obesidade em pessoas que não necessariamente sofrem da doença.

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As pesquisas com o remédio do laboratório dinamarquês Novo Nordisk foram apresentadas no último Congresso da Endocrine Society, e revelaram que, em média, as pessoas perderam cinco quilos ao longo de um período de 12 semanas após receberem doses semanais de semaglutida. “De acordo com os estudos realizados até aqui, ele promete ser o mais potente anorexígeno já lançado no mercado”, diz o endocrinologista Maurício Hirata, da clínica que leva seu nome, em São Paulo.

Atualmente, a semaglutida não é liberada pelo FDA, órgão que regula a venda de alimentos e remédios nos Estados Unidos, para tratamento da obesidade. “Mas assim como aconteceu com a liraglutida (cujos nomes comerciais são Saxenda e Victoza), a medicação posteriormente será liberada para obesos sem diabetes”, afirma o médico.

Segundo ele, também já está em estudo a versão oral do remédio, com resultados animadores. Maurício Hirata lembra ainda que os estudos demonstram que a semaglutida tem eficácia superior à liraglutida, tanto no controle do diabetes quanto para a perda de peso. E tem menos efeitos colaterais, apesar de poder ocorrer náuseas, como ocorre com a antecessora. “Ela é muito mais confortável para ser administrada, pois a dose da medicação é aplicada uma vez por semana”, diz o edocrinologista.

Em forma de caneta para uso subcutâneo, o remédio também ajuda a estabilizar a função da insulina, o hormônio que transporta o açúcar do sangue para as células. O paciente preferencial é aquele com excesso de gordura abdominal, os famosos pneuzinhos. Isso porque esse tipo de gordura concentrada, em geral, está relacionado à resistência à insulina.

A maior parte da perda de peso vem da redução na gordura, disseram pesquisadores da Universidade de Leeds, na Inglaterra, que avaliaram a eficácia da semaglutida. Mas o que mais impressionou os estudiosos foi que a droga reduziu os desejos por comida. Os participantes escolheram comer refeições menores, dando preferência a alimentos com menor teor de gordura.

Não é à toa que já tem muita gente usando a novidade por aí. Mas, importante: “Como qualquer medicação, a semaglutida só deve ser utilizada sob supervisão médica”, alerta Hirata. A aplicação de semaglutida e liraglutida virou febre recentemente nos Estados Unidos, ao lado de outro tipo de dieta: a injeção de peptídeos, que também já chegou por aqui.

Atribuem-se a essas moléculas a produção de colágeno, músculos e hormônios, como GH, que prometem rejuvenescimento. Pesquisas revelam que os peptídeos são de fato capazes de estimular hormônios que ajudam a emagrecer e que aumentam a massa muscular, além de diminuir a gordura corporal.

Parece um sonho? É bom ter cuidado. “Não existem protocolos seguros para a administração desses medicamentos”, afirma Hirata. “Estudos científicos já associaram o uso de hormônio de crescimento em adultos com maior incidência de câncer e até ao envelhecimento celular”, diz. “Cuidado com modismos como HCG, vitaminas injetáveis e peptídeos. Nenhum deles é administrado nos grandes centros médicos do planeta. É fácil perceber o porquê”, finaliza o médico.

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