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Ioga com batidas de hip-hop vira febre

Conheça um jeito novo de embalar o velho mantra que prega a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo

by Anna Paula Buchalla
Foto: Arquivo Harper's Bazaar

Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Certamente você nunca imaginou encontrar os termos ioga e hip-hop na mesma frase: mas essa associação existe e está virando febre em centros como Nova York, Los Angeles, Paris e Londres.

Imagine fazer a saudação ao sol ou o cachorro invertido no ritmo das batidas de Jay-Z, Kanye West e 50 Cent? No mínimo, a aula fica bem mais divertida.

A sequência é baseada nos princípios básicos da Vinyasa Flow (a origem de tudo e praticamente o guarda-chuva que abriga todas as outras técnicas), mas com uma embalagem totalmente diferente – e põe diferente nisso.

A aula começa com um alongamento leve, seguindo para os ásanas, as posturas da ioga tradicional, só que, nesta versão, com movimentos rápidos que trabalham bastante os abdominais.

A combinação de música e ioga é totalmente coordenada, e a velocidade do som se encaixa no ritmo do movimento. Em Nova York, alguns estúdios usam ambientes com paredes pretas, aquecimento e luz de velas para acompanhar o hip-hop.

Em Paris, as aulas de ioga R&B no estúdio Mirz, um dos mais badalados da cidade, têm som alto na caixa e movimentos bem agitadinhos, com posturas bastante focadas no core.

A fundadora da Mirz, Marine Parmentier, costuma dizer que isso torna a prática mais acessível para as pessoas que não estão muito familiarizadas com o lado espiritual da ioga tradicional. As aulas vivem lotadas, seja ao som de Drake ou Rihanna.

Na Califórnia, o artista MC Yogi juntou as paixões por hip-hop e ioga e lançou discos que acabam por embalar as aulas e os shows que faz. “Prontos para chacoalhar seus ásanas?”, costuma agitar o público.

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A combinação agrada tanto que o Spotify tem playlists incríveis para praticarioga ao som do gênero. As sessões de ioga hip-hop não foram pensadas aleatoriamente: há uma razão fundamentada na fisiologia dos esportes por trás da combinação de ritmo musical e posturas – senão, seria só mais uma aula de dança ao som de Cardi B, por exemplo.

Mas há a importância da respiração, sua conexão com o corpo e, claro, professores certificados. Usa-se a batida para protelar a respiração e concentrar nas posturas. O ritmo inclusive ajuda o praticante a seguir algumas sequências com mais flexibilidade. “Eu mesma coloco nas minhas aulas de ioga hip-hop, jazz, reggae e rock. A música toca a alma”, diz Carla Asevedo, instrutora de Flyoga da Casa do Budha, em São Paulo, misto de meditação com movimentos acrobáticos.

Um iogue mais tradicional pode argumentar que as playlists de hip-hop e R&B desvirtuam totalmente a máxima que prega que o objetivo primordial da prática é manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo, como já entoava aquele hino hippie dos anos 1970. E que esse tipo de aula alteraria o DNA da yoga. Mas seus seguidores defendem que tornar a prática mais inclusiva leva a uma outra forma de espiritualidade, mais democrática.

E, se o objetivo é aquietar a mente, não importa como se chega lá, a conquista é conseguir. Desde que a ioga caiu nas graças dos ocidentais, por seus poderes de tonificar e esculpir os músculos do corpo e – de quebra – acalmar a mente, os estúdios que oferecem a prática estão em toda a parte.

Estima-se que haja mais de cinco milhões de iogues no Brasil. Há uma conjunção de fatores impulsionando esse crescimento. De um lado, médicos passaram a incluir em seus receituários a técnica como forma de amenizar o estresse, a ansiedade e a depressão e ainda prevenir doenças.

A ioga ajuda a diminuir o ritmo cardíaco, a regular o funcionamento do sistema respiratório e a reduzir a pressão sanguínea.

De outro lado, a procura pela prática aumenta à medida que cresce também o número de novas modalidades, caso da ioga hip-hop. “O interessante é que essas novas aulas conseguem atrair um novo público. Se esse é o caminho nos dias de hoje para levar ioga a mais e mais pessoas, que seja”, afirma Carla Asevedo. “Se vai ser ouvindo hip-hop, jazz ou reggae, que este seja um caminho para uma prática milenar que vai fazer com que você respire melhor, ganhe um corpo mais flexível e, com isso, uma mente mais flexível também.”