Foto: Harper`s Bazaar
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Por Anna Paula Buchalla

Exercícios de alto impacto, com muita força, na linha sangue-suor-e-lágrimas ditaram as regras nas academias no ano passado. O crossfit reinou absoluto, com seus estúdios cheios de caixas, pneus e ferramentas espalhadas por circuitos originários dos treinamentos do exército americano. No Instagram das musas fitness, músculos conquistados à custa de muito treino funcional – saltos, agachamentos, flexões, abdominais –, tudo rápido, intenso, com intervalos curtíssimos de descanso. Aulas de bike e corrida na esteira, em salas escuras, com o som nas alturas, que levam o corpo ao limite da exaustão. Se você se cansou só de ler essas primeiras linhas, um consolo: 2016 é o ano do fitness slow motion. 

Como a indústria da malhação costuma ir de um extremo ao outro, num movimento pendular ao longo da história, não é de se espantar que, depois dos exercícios explosivos, a febre das academias comece a se voltar para o que já foi batizado de slow mo. Isso inclui treinos com pesos feitos devagar, quase parando, spinning com velocidade reduzida e até slow ioga (sim, ela pode ficar ainda mais lenta, acredite!). Mesmo em baixa voltagem, esses programas vendem resultados com menos stress físico e mental. “Muitas pessoas se estressavam durante os treinos puxados, seja por lesões, seja para tentar acompanhar as aulas extremamente duras e difíceis”, diz Eduardo Netto, diretor-técnico da Bodytech. Apesar dos ótimos resultados, em aulas como as de crossfit e HIIT, por exemplo, não são raras as lesões em músculos e articulações.

O movimento slow mo começou nos Estados Unidos e na Inglaterra, onde o novo método Rev5 tem conquistado uma legião de adeptos (Uma Thurman e Sharon Stone, entre eles) com a promessa de que menos é mais. Cada sessão tem apenas 15 minutos, com levantamento de pesos em cinco máquinas diferentes (as tradicionais, já usadas nas academias) para trabalhar braços, pernas, peito e ombros. São 10 segundos para levantar o peso e outros 10 para voltar, durante três minutos no total, para cada série. O treino é curto, lento, mas proporciona uma fadiga muscular real. A chave estaria em trabalhar um tipo de fibra que as sessões mais rápidas e pesadas não conseguem.

Foto: reprodução
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Na onda slow-é-o-novo-fast, quem segue o Instagram das celebs fitness em algum momento também já deparou com a #LISS. A sigla para Low Intensity Steady State, que remete a um estado quase estacionário de treino, é o oposto do HIIT, o treino intervalado de alta intensidade. Nada de explosões em tempo curto, mas um nível de esforço baixo por um período longo e contínuo. Ou seja, é qualquer treino de baixa resistência, como caminhar, nadar ou andar de bicicleta, mas de forma relaxada.

Ok, mas isso emagrece? Hipertrofia os músculos? Respondendo à primeira pergunta: se o foco é perda de peso, não é novidade que, depois de uma certa frequência cardíaca (alta, diga-se), o organismo deixa de queimar gordura. Para metabolizá-la, o corpo precisa de oxigênio e, quanto menor a intensidade, mais O2 disponível para ser utilizado na quebra da gordura. “O importante é treinar dentro do seu nível de condicionamento”, explica o fisiologista Fernando Torres, diretor do Centro de Estudos de Fisiologia do Exercício e Treinamento (CEFIT). Um estudo do American Council on Exercise mostrou que uma sessão de 20 minutos de HIIT equivale a um treino de musculação superlento, com a mesma duração em quantidade de calorias queimadas – cerca de 200. Quanto à resposta muscular, “quanto mais lento o exercício, mais tempo o músculo fica sob tensão, e os benefícios tendem a ser maiores”, diz Eduardo Netto.

Além disso, nem sempre os resultados rápidos compensam os riscos. Uma pesquisa dinamarquesa, a Copenhagen City Heart Study, acompanhou, por 12 anos, mais de mil corredores, entre 20 e 93 anos, e descobriu que os que treinavam mais acelerado, acima de 10 km/h, eram nove vezes mais predispostos a morrer prematuramente pelo excesso de stress fisiológico.

Seria a hora, então, de abandonar os exercícios pesados? “A melhor alternativa é combiná-los”, sugere Eduardo. A Bodytech acaba de criar uma aula, batizada de Postural, com movimentos lentos, de alinhamento e correção da postura, justamente para atender quem precisa desse equilíbrio. Uma coisa meio yin yang. Portanto, se você quer um corpo malhado, mas a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo, go slow o mais rápido que puder.