Foto: Carlos Bessa/Reprodução/Harper's Bazaar

Há um grupo que defende que pular o café da manhã aumenta a queima de gordura, o que ficou provado no maior estudo sobre o assunto, feito na Bélgica e publicado em 2011. Os opositores argumentam que exercitar-se em jejum compromete o desempenho físico, reduz a performance e sabota todo o esforço, por causa da falta de energia. Graças aos avanços na ciência da fisiologia do esporte, os pesquisadores começam a entender o que de fato acontece no organismo de quem malha sem comer.

Na malhação em jejum, a adrenalina está alta e a insulina, baixa. É o tipo de equação que favorece a queima de gordura pela musculatura. Os músculos, como se sabe, retiram energia dos carboidratos para funcionar. Mas se o organismo não tem reserva de açúcar como combustível, ele parte para a queima de gordura. Vários estudos comprovam que pessoas que se exercitam sem o café da manhã perdem mais peso nos treinos cardiovasculares.

Mas um em particular, publicado na edição de abril do Journal of the American College of Sports Medicine, confirmou uma suspeita antiga dos especialistas: ao fazer do jejum um hábito, o organismo passa a queimar não apenas a gordura, mas também as proteínas dos músculos. O resultado? Lá se vai a massa muscular conquistada com tanto suor… Isso acontece porque, quando se está com fome, o organismo entra no modo “sobrevivência”: retira proteínas dos músculos e as transporta para outros órgãos do corpo que farão melhor uso delas.

Menos músculos é sinônimo de metabolismo mais lento e… ganho de peso. “Nossa prática de mais de 40 anos mostra que se perde, sim, mais peso no exercício em jejum”, explica Marianne Brepohl, diretora de marketing do Lapinha SPA. “Mas também percebemos que isso não vale para todo mundo. Para alguns, prescrevemos um alimento leve antes da caminhada. Em geral, uma fruta”, diz.

“O melhor horário para treinar sem comer é até as 8h30 da manhã, quando o organismo ainda tem um estoque de combustível”, ensina o personal trainer Otávio Benatti, da academia Competition, em São Paulo. Segundo ele, a atividade aeróbica nessas condições não pode ser superior a 45 minutos e nem ultrapassar 75% da frequência cardíaca máxima. “Com relação aos treinos de musculação, ainda não há estudos suficientes para justificar fazê-los de estômago vazio”, diz.

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