Foto: Arquivo Harper's Bazaar
Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Uma boa (boa não, maravilhosa!) notícia para as mulheres: uma empresa de biotecnologia dos Estados Unidos desvendou um dos grandes mistérios da medicina, que é o comportamento dos hormônios femininos. Como se sabe, os hormônios orquestram todo o funcionamento do organismo – do humor ao peso, do sono às emoções, da fertilidade à menopausa.

Pelo nosso corpo circulam duas centenas deles, mas, apesar de tantos estudos envolvendo essas substâncias e, especialmente a reposição delas com versões sintéticas exatamente iguais às produzidas pelo organismo, seus níveis no sangue são difíceis de medir e de regular devido às variações fisiológicas.

Isso porque eles existem em quantidades ínfimas e oscilam muito ao longo do dia. A empresa de biotecnologia que criou a plataforma batizada de Mira acaba de ganhar o aval do FDA, órgão que regula a venda de remédios nos Estados Unidos, para lançar o aparelho que mede os níveis de hormônio de forma extremamente precisa, a cada hora, dia e mês da vida de uma mulher.

Esse era um grande obstáculo, sobretudo, para quem tem problemas de fertilidade ou na menopausa. O novo sistema de monitoramento hormonal determina os picos do LH, hormônio que indica o início da ovulação, com uma taxa de eficácia de 99%, segundo mostraram os estudos clínicos.

Em outra frente, o aparelho é um alento também para as mulheres na menopausa: com ele é possível saber quanto exatamente de hormônio uma mulher precisa para ser reposto em seu organismo. A reposição hormonal ainda é tema de debates na comunidade científica, porque doses altas de estrógeno e progesterona são associadas ao aumento dos riscos de infarto, derrame e câncer de mama.

“Há benefícios e riscos envolvidos na reposição, mas a ciência avança no sentido de tornar essa prescrição cada vez mais segura”, afirma o endocrinologista Maurício Hirata. “Na menopausa, a reposição feita de forma adequada, em doses menores, é muito benéfica. A qualidade do sono melhora, queixas relacionadas à queda de humor ou de libido somem, e a pele e o cabelo melhoram”, diz.

Além disso, segundo ele, um estudo do Cedars-Sinai Medical Center, de Los Angeles, revelou recentemente que a reposição hormonal reduz em até 30% a mortalidade após a menopausa. “Com o nível de estrógeno mantido, seu efeito de proteção ao coração também é estendido nesse período.”

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Hirata lembra que as contraindicações devem ser discutidas com o médico e as indicações, analisadas caso a caso: “Os estudos mais recentes apontam diminuição de risco cardiovascular, de gordura abdominal, redução de incidência de osteoporose e melhora da saúde metabólica e da cognição”.

Estima-se que uma mulher passe um terço de sua vida às voltas com a menopausa – a idade média do fim da menstruação é 51 anos. É um período intenso e cheio de significados – o fim da fertilidade, a secura vaginal, as ondas de calor, os suores noturnos, a insônia.

Muitas se surpreendem com a severidade dos sintomas num momento em que ainda estão no auge da vida profissional ou mesmo cuidando de filhos pequenos ou adolescentes, que requerem dedicação. Surgem, então, o cansaço, a irritação e as mudanças repentinas de humor. Sem falar que uma em cada três vítimas de câncer sofrem com os sintomas da menopausa também, independentemente da idade.

Portanto, não se trata de um problema das mais velhas apenas. Estima-se que seis mil mulheres entrem na menopausa diariamente nos Estados Unidos, o que significa dois milhões de mulheres por ano e 20% da força de trabalho feminina no país. “É um problema ainda subestimado nas áreas de pesquisa, apesar do grave impacto que causa na qualidade de vida e na autoestima de uma mulher”, diz Maurício Hirata. “Em paralelo às discussões, há um consenso médico de que hábitos de vida saudáveis melhoram (e muito) os sintomas da menopausa”, ensina o endocrinologista.

Ele cita um estudo de pesquisadores britânicos que apontou que, para cada adicional de 70g, por dia, de leguminosas frescas (como ervilhas ou feijões), a menopausa foi atrasada em cerca de um ano. Para cada porção adicional de 85g de peixe, esse atraso foi de três anos.

“Além disso, de acordo com uma pesquisa publicada no ‘Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism’, em março deste ano, a redução da gordura abdominal pode estar associada à terapia de reposição hormonal feita em mulheres na pós-menopausa”, atesta. Por fim, nunca é tarde para iniciar uma atividade física. “Ela comprovadamente leva a um envelhecimento mais saudável, mesmo que iniciada aos 60 anos”, conclui Hirata.

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