Foto: Tonn/Unsplash

Quando a pandemia do novo coronavírus passar, o mundo estará diferente. E nós também. Para além das mudanças políticas e econômicas, que certamente virão, a grande e definitiva mudança estará no nosso dia a dia. Nunca, como agora, demos tanta importância para a saúde mental, para a imunidade, para os hábitos saudáveis, para as boas horas de sono, para os laços de afeto com parentes e amigos, para o que colocamos dentro e fora do nosso corpo.

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Um estudo da University of Southern California revelou que a pandemia já alterou muitos dos nossos comportamentos: 85% dos pesquisados disseram lavar mais as mãos e usar álcool em gel, o que quase não faziam antes, e 61% já evitam e pretendem continuar evitando lugares com aglomerações. Outros novos hábitos, como desinfetar superfícies com frequência e lavar as compras do supermercado, tendem a continuar.

Encontros e reuniões desnecessários deverão ser evitados, assim como beijos e apertos de mãos. “O mundo muda e aprende com as grandes crises”, diz o nutrólogo e cardiologista Daniel Magnoni, do Hospital do Coração. Bazaar selecionou os novos hábitos essenciais que farão parte da nossa rotina pós-pandemia.

Saúde mental em alta

“A quarentena e os riscos de contágio pelo coronavírus nos colocaram em um patamar no qual a forma como cuidamos de nós mesmos, do próximo e do meio no qual vivemos merece um olhar com compaixão, carinho e maior atenção aos detalhes. E o lado bom disso é a possibilidade de nos abrir para novas formas de cuidado interior, o que vai ao encontro de uma tendência mundial: mindfulness e autocuidado”, diz a farmacêutica Claudia Coral, da Galena.

O home office também será realidade para muitas pessoas, mesmo depois do isolamento. Por isso, é hora de aprender a dedicar mais tempo para o seu bem-estar emocional. “Pratique meditação. Para quem está em casa trabalhando, a cada 60 ou 90 minutos de trabalho, pare 15 minutos para respirar, tomar um café ou simplesmente fechar os olhos. O tempo de recuperação é extremamente importante para manejo de estresse”, afirma a angiologista Aline Lamaita, membro do American College of Lifestyle Medicine. “É importante seguir o ritmo natural da vida, como ter um horário para dormir e para acordar, principalmente seguindo o ciclo da natureza, se alimentar bem de manhã, um pouco menos no almoço e comer pouco de noite”, ensina Joel Aleixo, alquimista da AlkhemyLab.

Foco no intestino e adeus a dietas restritivas

Hoje em dia, já se sabe que grande parte das defesas do nosso organismo está no intestino, onde ocorre nossa maior produção de anticorpos. Ou seja, a saúde intestinal reflete diretamente em nosso sistema imunológico. “Para isso acontecer, é preciso ingerir, pelo menos, de 25 a 29 gramas de fibras por dia”, ensina a médica Maria José Femenias Vieira, cirurgiã do aparelho digestivo e especialista em psicossomática. Ela recomenda ainda a ingestão de dois a três litros de água por dia.

Segundo o nutrólogo Daniel Magnoni, proteínas e vegetais são essenciais para aumentar a imunidade e repor vitaminas e minerais. “O melhor nutriente é a proteína das carnes, de uma forma geral. Se você é vegano, não tem problema, abuse de grãos, feijão, ervilha, lentilha e soja. Eles têm a melhor proteína vegetal”, ensina. As dietas muito restritivas, como a da proteína, que exclui carboidratos, também deverão ficar em isolamento, porque podem comprometer as funções orgânicas.

Para a médica nutróloga Marcella Garcez, professora da Associação Brasileira de Nutrologia, uma alimentação equilibrada é variada, colorida e com alimentos os mais naturais e funcionais possível. “Podemos listar os vegetais folhosos escuros, os legumes em geral, todos os que nascem para cima da terra, os tubérculos e raízes, as leguminosas, os cereais, particularmente os integrais, as frutas, as sementes oleaginosas, as carnes magras e os laticínios enriquecidos com probióticos, além de água, água de coco, chás e sucos funcionais”, afirma a médica.

Cosméticos naturais, mas nem tanto

Os efeitos do coronavírus impuseram novos hábitos que podem gerar danos à nossa pele. Entre eles, o uso frequente de géis antissépticos e desinfetantes, feitos com álcool, pode causar reações como prurido, ressecamento, inflamação e dermatites. A alta exposição à luz azul dos equipamentos eletrônicos, estando mais tempo em casa, causa envelhecimento precoce e hiperpigmentações.

O uso de máscaras de proteção pode desencadear um aumento da acne e de doenças como rosácea. Nesses casos, o combate pede alguns componentes não necessariamente veganos. “Para melhorar a imunidade da pele, é importante o uso de produtos que contenham ceramidas e ômegas para reposição da barreira cutânea. Uma pele com seu escudo protetor em perfeito estado mantém a hidratação, diminui a inflamação e tem resposta imune mais adequada”, diz Fernanda Chauvin, farmacêutica bioquímica especialista em dermatocosmética e diretora científica da Ellementti Dermocosméticos.

Sabe-se também que o vírus permanece na barba e nos fios de cabelo. Quanto maior o pH do xampu, maior o seu poder de limpeza – vale olhar o rótulo.

Atividade física

Sedentários passaram a se exercitar. Quem não vivia sem academia, descobriu, em casa, as ferramentas para malhar. São hábitos que devem permanecer, mesmo depois da pandemia. Isso porque a atividade física passou a ser tão essencial na rotina quanto dormir bem, aquelas sete a oito horas de sono.

A atividade física é importante para manter o sistema imunológico em dia, pois, quando nos exercitamos, temos uma produção maior de linfócitos, que são as células de defesa para combater o vírus. Além disso, manter-se ativo traz benefícios na melhora da disposição e do humor, e ajuda na perda de peso e na saúde cardiovascular.

Menos é mais

Aprender a comprar e a ter menos, cuidar das tarefas de casa, criando nova dinâmica na família, priorizar pequenos negócios e valorizar o trabalho de entregadores são apenas alguns novos hábitos para não abandonar jamais. O mundo não será o mesmo depois da pandemia, mas isso não significa que ele será necessariamente pior.