Foto: Arquivo Harper's Bazaar
Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Você certamente já ouviu alguém dizer que o lifting de rosto está com os dias contados. Que a cirurgia perdeu espaço para toxinas, preenchedores, radiofrequências e lasers. Que a estética natural pede o fim do estica-e-puxa feito com a ajuda do bisturi.

Sim, o discurso é animador. Mas, na prática, (prepare-se para ouvir a verdade) ninguém que queira estar com a pele lisinha como pêssego depois dos 50 anos escapa da mesa de operações. Mas isso não é necessariamente uma má notícia: com a ajuda de todo esse arsenal de beleza chega-se muito melhor às mãos do cirurgião, o que significa um ponto positivo para o paciente.

Uma pele mais firme e bem tratada é de grande ajuda no momento da incisão e também no pós-operatório. Como em uma via de mão dupla, é justamente esse arsenal pró-beleza que complementa os resultados da plástica. Injetáveis e equipamentos de estética são a cereja do bolo para um resultado perfeito.

Além disso, as técnicas cirúrgicas, hoje, estão bem menos complexas, com resultados mais naturais e, apesar de uma recuperação ainda sofrida, ela está bem melhor do que uma década atrás.

Nos Estados Unidos, segundo a Sociedade Americana de Cirurgia Plástica Estética, o número de liftings faciais não só não diminuiu como aumentou cerca de 30% no ano passado em relação há 20 anos antes (1997). Ou seja, nem mesmo com o advento da toxina botulínica, que congelou as rugas quase que por milagre no início dos anos 2000, houve uma queda na procura pela plástica.

Isso mostra que injeções e lasers, na verdade, podem ter o efeito de abrir um caminho antes completamente fechado para a vaidade de homens e mulheres. “Preenchimentos com ácido hialurônico, bioestimuladores e equipamentos como o ultrassom microfocado (Ulthera) têm resultados excepcionais para dar firmeza à pele do rosto e ainda estimulam a produção de colágeno, mas não substituem a cirurgia”, afirma o cirurgião plástico Bruno Fellice Zampieri, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Ele explica que não é apenas a pele que fica flácida com o avançar da idade. “Perde-se a gordura que dá volume e sustentação ao rosto, e até os ossos envelhecem. A cirurgia acaba sendo inevitável”, diz.

Mas como nem o lifting é definitivo, todas essas terapias acabam sendo complementares umas às outras. “A associação de procedimentos é importante”, lembra o cirurgião plástico David Di Sessa, também da SBCP. “Normalmente, meus pacientes que fazem lifting vão depois fazer laser de CO2, ácido hialurônico para hidratação profunda e quem sabe, no futuro, até Ulthera para flacidez.”

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O principal objetivo do lifting facial é devolver o contorno na parte inferior do rosto e pescoço. Manchas e linhas finas, como ao redor dos lábios, dificilmente somem com ele. “Uma das áreas que ainda se beneficiam bem mais da cirurgia é a região das pálpebras, por meio da blefaroplastia, já que nenhum tratamento não invasivo é capaz de acabar de vez com a pele em excesso e corrigir totalmente bolsas, dando leveza ao olhar”, explica Zampieri.

Os avanços nas técnicas do lifting facial são evidentes e elas vão se aprimorando ano a ano. Hoje, os cirurgiões não apenas puxam a pele flácida mas erguem e reposicionam os tecidos subjacentes, os ligamentos e ainda retiram o excesso. Eles passaram a reposicionar o complexo muscular localizado abaixo da pele do rosto e do pescoço, denominado Sistema Aponeurótico Muscular Superficial (SMAS).

Com isso, amenizam sinais de envelhecimento, como “bigode chinês”, rugas e até a papada, sem deixar aquela aparência de pele repuxada. “Nós, plásticos, também aprendemos a dominar todas as nuances da anatomia facial, entendendo a queixa do paciente e sabendo que o que ele quer não é necessariamente o que deve ser feito”, afirma o dr. Bruno.

Muitas vezes, um nariz proeminente fica menos evidente quando se corrige o contorno do queixo – e esse é apenas um exemplo entre tantas correções estéticas possíveis. Também ficou mais precisa a localização dos pontos da musculatura que devem ser manipulados de forma a se ter menos inchaços e hematomas.

Cicatrizes mais discretas são outro efeito positivo desses avanços. “A cirurgia não é eterna nem definitiva”, diz o dr. Bruno. “Um bom lifting de face dura de 10 a 15 anos, embora o pescoço comece a dar sinais de flacidez antes disso”, afirma. “Quanto antes ele é feito, por volta dos 45 anos, quando a pele ainda não perdeu totalmente sua elasticidade, mais tempo o procedimento dura.”

E os procedimentos não invasivos entram justamente aí, para ajudar a prolongar os resultados. Quer mais uma boa notícia? Já existe um aparelho que simula em 3D os efeitos dos procedimentos e mostra como o rosto ficará depois da cirurgia. “Meus pacientes ficam mais seguros e, para nós, o tratamento acaba sendo mais preciso”, diz David Di Sessa, adepto da novidade em seu consultório.

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