Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

De acordo com uma pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), divulgada no final de 2019, nosso País é campeão mundial em cirurgias plásticas. Para ter uma noção, só em 2018 foram realizadas mais de 1,4 milhão no Brasil.

Apesar de ser ótimo sermos livres para fazer o que bem entendermos com nossos corpos, é importante entender primeiro qual é a nossa motivação para realizar um procedimento estético. Muitas vezes, há um problema emocional por trás dessa decisão, ou até mesmo um transtorno psicológico.

O doutor José Octavio Gonçalves de Freitas, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional São Paulo (SBCP-SP), conta que isso sempre é avaliado pelos profissionais quando a paciente vai ao consultório. “A maior preocupação das mulheres normalmente é com o corpo. Não é a beleza em si, mas como ela se sente em relação a si mesma. Cabe ao médico ver se o ‘problema’ está ligado realmente ao que ela demonstra”, explica.

Em outras palavras, o cirurgião precisa checar se a paciente quer fazer uma rinoplastia porque ela não gosta do nariz ou porque acha que só vai ser aceita pelo seu parceiro e amigas se tiver um nariz exatamente igual ao de uma influencer. Percebeu a diferença?

E a busca por um padrão de beleza que nem existe na vida real, potencializado pelas redes sociais ou por situações que nos deixam mais vulneráveis, como um término de namoro, acaba levando, muitas vezes, ao excesso desses procedimentos. “Na tentativa de resolver um problema, você cria outro, porque só transfere a sua queixa a outro local. Depois de operar o nariz, a paciente decide que agora as orelhas precisam ser alteradas”, complementa o cirurgião.

Em casos mais graves, esse desejo de mudar totalmente o corpo pode ser, inclusive, um indício de dismorfismo corporal – um transtorno psicológico no qual o portador fica constantemente preocupado com algum defeito na aparência que não é visto ou não é significativo para o resto das pessoas. É um grave problema que afeta cerca de 2% da população mundial, trazendo consigo ansiedade, baixa autoestima e depressão.

Qual a solução para essas situações?

Se esse for o seu caso, o ideal é procurar ajuda com um profissional formado em um curso de psicologia ou psiquiatria. “Se você buscar de cara um bom cirurgião plástico, ele irá negar a cirurgia e recomendará que busque orientação desses especialistas”, relata Freitas.

O presidente da SBCP conta que, na maioria das vezes, infelizmente, as mulheres vão em busca de novas opiniões médicas ao receber um “não”, até encontrar alguém que faça o procedimento. Por isso, é muito importante que você procure um profissional conceituado e com boas recomendações. Ele será capaz de avaliar se a sua queixa é movida pela sua vontade própria ou pela pressão estética que a sociedade nos impõe. “Lembre-se: cirurgia plástica não faz milagre”, conclui Freitas.