Já ouviu falar de Carpo fobia? Nossa repórter Anna Del Mar explica um pouco mais  sobre o assunto do qual é refém - Fotos:reprodução
Já ouviu falar de Carpo fobia? Nossa repórter Anna Del Mar explica um pouco mais sobre o assunto do qual é refém – Fotos:reprodução

Por Anna Del Mar

“Carpo vem do grego karpos, que significa fruta. Carpofobia, portanto, é o medo delas. Sim, eu tenho medo de frutas. Não que eu tenha pesadelos à noite com grandes frutas malvadas que vêm puxar meus pés, mas num supermercado, por exemplo, evito entrar no corredor hortifrúti. Frequentar a feira, então, nem amarrada. Quando vejo ou sinto cheiro de frutas, tenho ânsias, fico enjoada, irritada com a pessoa que está comendo na minha frente. Dá vontade de sair correndo.

Tenho essa fobia desde que me entendo por gente, apesar de minha mãe jurar de pés juntos que, quando eu era criança, comia todo tipo de fruta. Recentemente, em busca de saber mais sobre minhas aversões, consultei o Google e fiquei muito aliviada em descobrir que não estava sozinha. Há algumas comunidades e sites que abordam o tema, mesmo que de forma superficial. Para me aprofundar no assunto, marquei uma consulta com Fabio Salzano, psiquiatra especialista em transtornos alimentares do Hospital das Clínicas de São Paulo, que me explicou que os sintomas são como os de qualquer outra fobia: enjoos, irritação, palpitações…, quando entramos em contato com os vilões. “As fobias podem ser genéticas ou ter relação com algum episódio traumático do passado”, explicou. “Um transtorno de ansiedade também pode ser uma causa.” Imediatamente, atribuí meu caso à segunda alternativa.

Ainda seguindo na busca para saber o quanto isso poderia afetar minha saúde, procurei a nutróloga Melina Castro. Segundo ela, os pacientes que não comem frutas normalmente conseguem proteínas e carboidratos de outros alimentos. O problema é a falta de vitaminas e minerais. “A não ingestão de frutas pode causar queda de cabelo, falta de energia e maior propensão a doenças, como gripes e resfriados”, explica. Do ponto de vista nutritivo, as opções de tratamento seriam tomar mais sucos ou usar suplementos alimentares.

Quero gostar de frutas mas enquanto isso, sigo evitando aquele último corredor do supermercado. Quem sabe, um dia, eu crio coragem.”