Foto: reprodução
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Por Cibele Maciet

É nas vielas do entorno da Rue Saint-Honoré, em Paris, em corners da Selfridge e da Liberty, em Londres, e no Meatpacking District, em Nova York, que estão as perfumarias mais exclusivas – e incríveis – do mundo. Espécie de segredinho bem guardado de insiders, elas têm produção em pequena escala, feita com matéria-prima premium e, quase sempre, aromas marcantes e elegantes, daqueles que aguçam os narizes mais curiosos. Quem usa não gosta de entregar o milagre, já que a ideia é fugir dos chamados blockbusters da perfumaria que deixam todas com o mesmo cheiro. Num mercado saturado por perfumes adocicados de celebridades e de labels de moda, esse tipo de fragrância começa a ganhar destaque e, consequentemente, o interesse de mais mulheres. Essas pequenas joias da alta-perfumaria podem ser encontradas em lojas como a Maison Francis Kurkdjian, perto da Place Vendôme, em Paris, onde os perfumes de um dos nez mais cultuados da atualidade são praticamente uma marca pessoal. Ou na multimarcas Nose, que tem entre suas labels a francesa Diptyque, eleita de Nicole Kidman e Sofia Coppola, e as inglesas Creed (Tubereuse Indiana é a preferida de Madonna) e Penhaligon’s, cuja Bluebell está na bancada de beauté de Kate Moss.

Da esquerda para à direita: Julia Teo Cabanel, (R$ 689), Terre de Sarment Frapin & Cie (R$ 1.459) e Féminité Du Bois Serge Lutens, € 90 (cerca de R$ 364) - Fotos: reprodução
Da esquerda para à direita: Julia Teo Cabanel, (R$ 689), Terre de Sarment Frapin & Cie (R$ 1.459) e Féminité Du Bois Serge Lutens, € 90 (cerca de R$ 364) – Fotos: reprodução

Na Bar Liquides, do expert francês David Froissard, há centenas de vidros cobiçados, como os da sueca Byredo, da francesa L’Artisan Parfumeur e da inglesa Miller Harris. Na Le Labo, de Nova York, as embalagens parecem recém-saídas de um laboratório, e os perfumes são feitos na hora com os 25 aromas disponíveis. O objetivo, em todos os casos, é um cheiro que não esteja circulando, indiscriminadamente, nos pescoços mundo afora. Se você é do tipo, por exemplo, que não combina com perfumes florais, talvez tenha sua opinião totalmente revertida ao deparar com um Rose Hubris, da francesa Ex Nihilo, feito com rosa-de-maio, ou o recém-lançado Ostara, com flores amarelas de narciso, da inglesa Penhaligon’s.

Eles também podem contar histórias: “Nossos cheiros sempre começam com uma memória, uma emoção ou um lugar especial no tempo”, diz Jan Ahlgren,ex-modelo que criou,recentemente,a Vilhelm Parfumerie,em NovaYork. O Dear Polly,“uma carta de amor”de Jan à sua esposa, foi feito com chá preto, maçã e bergamota, ingredientes que ela adora. A exclusividade de uma fragrância está, em grande parte, na liberdade maior de criação e na seleção de notas sofisticadas e de primeira linha em sua composição. Imagine um perfumista que trabalhe sem a pressão de agradar o grande público, que tenha aval para elaborar um produto que é vendido em menor escala e, portanto, com mais exclusividade. Dominique Ropion, o nome por trás de sete perfumes da coleção Editions de Parfums Frédéric Malle, entre eles os cultuados Portrait of A Lady, Carnal Flower e Vetiver Extraordinaire, atribui o sucesso das fragrâncias que compõe à carta branca para suas criações, sem restrição de investimentos, o que inclui matérias-primas caríssimas e em grandes quantidades.

Da esquerda para à direita: Royal Rose Aoud M. Micallef (R$ 1.459),  Barkhane Teo Cabanel (R$ 1.459) e Ciel d'Opale Ann Gérard (R$ 769) - Fotos: reprodução
Da esquerda para à direita: Royal Rose Aoud M. Micallef (R$ 1.459), Barkhane Teo Cabanel (R$ 1.459) e Ciel d’Opale Ann Gérard (R$ 769) – Fotos: reprodução

Para Sophie Normand, escritora francesa e criadora do blog sobre o universo dos aromas My Blue Hour,“a procura é por um perfume não apenas singular e original, mas inovador, com combinações improváveis”. Esqueça, portanto, o cheiro doce de sucessos comerciais, como Flowerbomb e Angel, de Viktor & Rolf e Thierry Mugler, respectivamente, com notas florais, cítricas e gourmandes, como o praliné e o caramelo, de apego fácil. A boa notícia é que os perfumes ultraexclusivos começam a chegar ao País pelas mãos das empresárias Cristiane Vilar e Evanete Santos, que montaram a Cosmopolitan do Brasil, em Brasília (com previsão de lojas em São Paulo, Rio e no Nordeste).

Entre as labels, todas francesas, selecionadas pela dupla, Frapin & Cie, Comptoir Sud Pacific, M.Micallef,Teo Cabanel e Les Parfums de Rosine. “No mundo todo, existe uma demanda crescente por novas experiências olfativas”, explica Cristiane. Um frasco desses costuma custar de R$ 500 a R$ 1,5 mil. Toda exclusividade tem seu preço.

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