Foto: FreePik
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Embora o botox seja visto como uma forma segura e fácil de se livrar das marcas de expressão, estudos têm demonstrado que, talvez, essa substância não seja tão inofensiva quanto se imaginava.

Um novo estudo da Universidade de Wisconsin-Madison descobriu que, quando injetado, o botox na verdade tem a capacidade de se movimentar em células nervosas diferentes.

Para entender como isso acontece, temos que olhar para a ciência por trás dele. Botox é o nome comercial para toxina botulínica tipo A – uma neurotoxina que tem a capacidade de causar botulismo, uma doença potencialmente fatal que paralisa o músculo. Em 2009, o FDA (Administração Norte-Americana de comida e alimentos) emitiu um alerta de segurança dizendo que a toxina “pode se espalhar a partir da área de injeção para produzir sintomas de botulismo”, resultando em fraqueza muscular e dificuldade respiratória.

Nesse estudo, os cientistas analisaram duas linhagens de toxina botulínica nos neurônios de rato e descobriram que ele pode realmente se mover para áreas em que não deveria chegar.

“Uma vez que estas toxinas entram num neurônio, uma fração da toxina atua dentro dele, mas outra fração é capaz de se mover para os neurônios ligados”, disse Edwin Chapman, um pesquisador do Howard Hughes Medical Institute e professor de neurociência na Universidade de Wisconsin-Madison, ao The Guardian. “Em outras palavras, essas toxinas na verdade se movimentam entre as redes de neurônios conectados”. As pesquisas ainda não conseguiram revelar o quão longe a toxina consegue “viajar”.

O que isso significa na vida prática? Pouco. Os médicos ainda estão bem confortáveis em receitar o botox aos seus pacientes. Segundo Kathleen Souzzi, uma instrutora no departamento de dermatologia na Yale School of Medicine, mesmo que o botox se mova, é improvável que ele irá resultar em complicações respiratórias.

“Complicações são raras e, quando ocorrem, costumam resultar na paralisia de alvos não intencionais, por exemplo, queda da pálpebra”, disse ela. “Eles não costumam estudar os seres humanos, então os resultados encontrados não podem ser necessariamente ser aplicados para além do laboratório. Além disso, mesmo se houver alguma migração, precisamos saber o quão longe e se é importante ou perigoso.”

Por enquanto, parece que ainda é seguro optar por fazer botox se quisermos. Como Champman admite, não importa como ele é usado, o botox acaba sendo destruído pelo corpo de qualquer maneira.